segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Cabeceira do Rio Boa Hora: uma nascente abandonada... dilacerada!


Principal nascente do R. Boa Hora / imagem de Daniel - (UEMA)
Em 2011, estudantes da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), realizaram uma pesquisa sobre a bacia hidrográfica do Rio Boa Hora, um dos rios mais importantes do município de Urbano Santos. Detectaram que sua principal nascente (o coração) estar abandonada, esquecida, dilacerada e ameaçada diretamente pelos plantios de eucalipto e soja. Muitos outros rios da Região do Baixo Parnaíba vivem esse dilema, pois são eles quem abastecem as cidades de água, quem ajuda no equilíbrio da lavoura e faz parte do dia a dia das comunidades rurais. Os rios são fontes de um dos recursos naturais indispensáveis aos seres vivos: a água. Além disso, têm grande importância cultural, social, econômica e histórica. A vazão do rio, em termos de representatividade na renovação dos recursos hídricos, “é o componente mais importante do ciclo hidrológico. Os rios exercem um efeito pronunciado sobre a ecologia da superfície da terra e sobre o desenvolvimento econômico humano através da produção de água. É a vazão do rio que é mais amplamente distribuída sobre a superfície da terra e fornece o maior volume de água para consumo. Com base na Sustentabilidade da vida, milhares de espécies da flora e fauna, inclusive nós seres humanos, consomem água dos rios, que precisam ter uma qualidade adequada para os diversos usos. É dos rios que saem grande parte da água consumida pela humanidade para beber, cozinhar, lavar, conservar alimentos, cultivar plantas, criar animais, navegação, dentre outros usos. Os rios trazem referências culturais muito importantes sobre a sociedade humana, especialmente para as comunidades ribeirinhas que moram ao seu redor, expressando modos de vida e implicações no cuidado e/ou falta de cuidado com o meio ambiente do qual fazem parte, os recursos tecnológicos e tipos de usos de suas águas, significados, dentre outras. Eles fazem parte da biografia de muitas pessoas, compondo memórias e perspectivas do presente e futuro, que se alinhavam na tessitura de sua cultura e identidade. É o caso do Rio Boa Hora que corta comunidades tradicionais do município de Urbano Santos. Ele nasce numa região conhecida como “recanto da seriema” entre os povoados Bom Sossego e Cajazeiras, passa pelas seguintes comunidades: Pedra Grande, Surrão, Raiz, Santa Maria, Fortaleza, São Bento e entra na sede do município desembocando no Rio Mocambo. Existe documentos que na década 30 o Boa Hora teve uma grande enchente que inundou o Bairro São José e parte da Rua Boa Hora (sede), naquele tempo era utilizado para o tráfego fluvial de canoas transportando farinha e outros produtos para São Benedito e Região do Munin. Os fatores e problemas que colocam sua vida em risco é a questão do assoreamento, captação ilegal de água e areia de seu leito, pesca predatória com flechas (armas caseiras), desmatamento das margens ciliares, lavagem de veículos (motos e carros) e a imensa quantidade de lixo em suas margens. O Rio Boa Hora precisa viver, talvez daqui a 20 ou 30 anos talvez não existirá mais, com isso nós e as futuras gerações expiremos juntos dele. Apenas resta a lembrança de tempos de outrora, quando no inverno o Rio Boa Hora alcançava seu patamar de enchentes, com águas desafiadoras invadindo ruas, quintais e passando por cima de pontes. Agora resta apenas a memória! Nosso rio merece reviver, mas para isso acontecer, cada um de nós temos o dever de fazer nossa parte.

José Antonio Basto

e-mail: bastosandero65@gmail.com

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