sexta-feira, 4 de abril de 2025

O fogo


O Viajante vinha de lá para cá, numa carreira extrema! Carreira essa, em que a caminhonete corria! O fogo atravessaria a vereda com suas ferozes línguas! O carro parava, pensava-se em seguir ou não, aguardava-se um pouco... era arriscado; ou se arriscaria encarar o fogo no caminho, o dito caminho era estreito e aplainado. É normal o aplainamento dos caminhos de eucalipto e soja nessa região. Vinha-se de uma das muitas tarefas na luta pela terra. Mas o dito fogo não era tão mal assim... ele pegava com suas assombrosas labaredas atrapalhando a passagem, sendo que suas chamas pegavam nas plantações de eucaliptos e devoravam tudo pela frente, matava aquela “floresta verde que mata tudo”. A árvore eucalipto é boa de fogo, quase não se controla uma queimada em plantações dessa árvore. De um lado, o fogo na monocultura, do outro, a chapada ameaçada pelo eucalipto e também pelo fogo. Pensava-se pela última vez...  então decidira acelerar a caminhonete, numa disparada corajosa! Roncou o motor do carro, passou a primeira, segunda e terceira marcha... então o automóvel sumiu nas labaredas num risco entanto, mas com sorte saiu do outro lado. Então o fogo ficou para trás, de longe só se via fumaça. As aventuras do Viajante as vezes são arriscadas; mas valem a pena... elas tiram aprendizados  junto às comunidades tradicionais, viajando por estes velhos caminhos. Comunidades essas, ameaçadas pelo fogo no período do verão e pelo agronegócio do eucalipto e da soja em todas as estações. 

J. A. Basto

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