Dia Nacional da Poesia: a pena veloz e o verso

No Brasil a poesia
ganhou um dia para celebração, a data foi escolhida em 14 de Março – coincidindo
então com a data de nascimento de um dos mais importantes poetas do Brasil:
Castro Alves (1847-1871). O poeta dos escravos, da juventude e do amor, este
jovem escritor baiano começou sua carreira de trovador ainda muito cedo em sua
adolescência. Castro Alves lutou grandemente pela abolição da escravidão no
Brasil, além disso, era um grande defensor do sistema republicano, assim com
todos os poetas ele sempre amou os livros, a liberdade, a justiça e a beleza
feminina. Sua indignação quanto ao preconceito racial ficou registrada na
poesia “Navio Negreiro”, chegando a fazer um protesto contra a situação em que
viviam os negros. Mas seu primeiro poema que retratava a escravidão foi “A
Canção do Africano”, publicado no jornal “A Primavera.” O poeta da abolição
publicou um único livro em vida – chamado “Espumas Flutuantes” – tida como
clássico da poesia brasileira. Ele morreu aos 24 anos de idade na cidade de
Salvador deixando seu importante legado às futuras gerações. Por esse motivo o
Dia da Poesia no Brasil é um momento de lembrar a figura emblemática não apenas
de Castro Alves, mas de muitos outros poetas que foram e são fundamentais nos
estudos de nossa tão rica literatura, para confirmar com ênfase essa questão, o
professor do Departamento de Letras (Delet) da UFOP, Carlos Eduardo Lima
Machado, fala que a importância da poesia na literatura brasileira está,
principalmente, nas grandes obras de Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Murilo
Mendes e João Cabral de Melo Neto. "Penso que a poesia posterior a
esses autores merece mais uma posição crítica do que se registra hoje”, afirma.
Com isso é importante frisar a enorme contribuição que a poesia tem feito na
formação dos estudantes. Um leitor de poesia nem sempre é alguém que está na
escola: Existe uma edição de “Espumas Flutuantes” de uma determinada editora,
onde na última capa do livro, os editores advertem que aquele livro foi
preparado com as notas para os vestibulandos do Brasil, mas muito além disso
ele também supre as necessidas de um bardo leitor de poesia e principalmente
aqueles que se dedicam aos estudos castro-alvinos. Com essa clareza pode-se
dizer que a cultura poética é difusa e não existe um só público para lhe
desfrutar. O poeta maranhense Ferreira Gullar em uma certa entrevista disse que
o individuo leitor de poesia ver o mundo diferente. Manoel de Barros, poeta
pantaneiro – um ícone vivo da língua portuguesa, frisou que a poesia não é pra se
entender e nem para se adivinhar, o poeta tem sua ideia formada que as vezes é
muito diferente e contrária a de quem vai interpretar. A prática do fazer
poético é magistral e vai muito além do conhecimento individual. Inspirar-se
para escrever um trabalho em versos não é tarefa muito fácil, pois requer
determinação e força de vontade. Uma folha de papel está na mesa, tem um
pensamento, uma pena e o tinteiro... esses instrumentos tem a capacidade de
mudar o mundo, para nos mostrar isso, o mestre Carlos Drummond Andrade escreveu
assim:
“Gastei uma hora pensando um verso/ Que a pena não quer
escrever/ No entanto ele está cá dentro/
Inquieto, vivo/ Ele está cá dentro
e não quer sair/ Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.”
Inquieto, vivo/ Ele está cá dentro
e não quer sair/ Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.”
José Antonio Basto
(Poeta)
Março de
2014 – em homenagem ao Dia Nacional da Poesia brasileira
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