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Em algum lugar na região do baixo parnaíba maranhense |
Tiros
se atiram e se ouvem no sertão! Constantemente se escuta tiros nas chapadas -,
quase não se ver mais, de junho a dezembro os tiros estrondam na floresta! Há
muito tempo os sertanejos lutam por algo melhor em suas vidas... Para suas
famílias - gente que durante séculos foi massacrada. Mas como lembrar disso? Se
o sertão é o canto que ecoa nos infinitos caminhos – o sertão é o meio, o
início e o fim de qualquer prosa.
Caçadores
atiram para as matas, eles caçam para alimentar suas casas e seus criados, a
“subsistência” – talvez não faz tanto mal assim como se pensa porque a cultura
dos povos é mais forte do que qualquer empreendimento capitalista. Mas o sertão
foi invadido e os tiros que rondavam suas terras não se ouvem mais. O
território foi marcado por ferro e fogo, o sangue ainda se espalha por lá.
Muitos dias se foram, muitos sonhos também... grandes vitorias saíram das
entranhas do coração e da vontade de viver! Mas viver com muita cautela,
precisa-se “acreditar”, precisa-se escrever a própria história.
O
sertão se esvaziara de seu povo que se fora, retiraram-se com medo da fome e
dos fantasmas que lhes assombram... RETIRARAM-SE intoxicados pelo veneno! A
terra fora tomada - “grilada” – por tempo indeterminado, a mesma terra dos
ancestrais. Agora nem caça, nem peixes, nem roças! Acabara-se tudo! Ainda resta
a coragem de lutar. Science alertava no pé do ouvido em seu Monólogo, dizendo:
“O homem coletivo sente a necessidade de lutar / O orgulho, a arrogância, a
glória / Enche a imaginação de domínio”. A cartilha contara a história. A
didática também foi contada, mas em alguns casos de maneira equivocada.
Como
imaginar o sertão em seus velhos tempos de outrora; quanto aos tiros disparados,
anunciaram então uma nova era. Rendiam-se -, os tiros voavam os ares da
liberdade e a fumaça do campo enchia os pensamentos de domínios. Eles rondavam
o sertão em busca de direitos, atravessavam valas e grotiões pelo agreste. Rumavam
para o leste. Para as outras bandas eles moravam, residiam ali longe de tudo e
de todos, quando as estações mudavam de cor os campos abriam seus jardins de flores
anunciando um novo tempo que nunca chegara.
Os
caminhos do sertão eram os mesmos caminhos estreitos trilhados por rebeldes,
eles eram insurretos e adentravam pelas matas – chapada afora. Quando se viaja
pelo sertão se ouve muitas coisas, histórias e encantos. Os modos de vida
mudaram... Ainda resta tempo para a luta e para os sonhos. O sertão parava ali,
os ventos do leste ecoavam junto às florestas que adormeceram e sem poder falar
dormiam sem dizer nada; exceto, a angustia dentro de si. Ali se ouvia os tiros
que estrondavam no sertão!