Hoje, 13 de
maio de 2024, (136 anos da abolição dos escravos no Brasil). Será que a
abolição da escravatura nesta data, resolveu todos os problemas de milhares de
escravos no Brasil? Os movimentos abolicionistas pregavam a liberdade por
completa e não apenas pela metade como aconteceu. Nomes como os de Joaquim
Nabuco, José de Patrocínio e o poeta Castro Alves foram vultos da história que
merecem ser lembrados pela grande contribuição a respeito da liberdade dos
negros e negras deste país, além de muitos outros líderes que se doaram à causa
da luta contra o mais horrível e hediondo dos sistemas que perseguiu a
humanidade, principalmente o povo negro africano.
Os problemas
sociais no Brasil, em especial o da escravidão negra, foram mazelas e feridas
que ainda hoje não cicatrizaram e continuam na alma e na lembrança dos
afro-brasileiros. Os mais de trezentos anos de cativeiro negro e indígena que
perdurou em nosso país – dizimando o continente africano, foi sem dúvida uma
das maiores vergonhas e manchas desta pátria. Uma coisa não é lembrada: os
escravos nunca aceitaram a escravidão, fugiam e formavam quilombos, resistiam
aos ofícios não fazendo os trabalhos ordenados pelo patrão, quebravam
instrumentos de trabalho, as mães num momento desesperador até abordavam seus
filhos para não vê-los futuros servos dos senhores brancos, em fim... A luta
dos negros foi acirrada: Zumbi foi assassinado, Negro Cosme enforcado em praça
pública para assim mostrar o poderio do estado repressor. Mais de 18 milhões de
africanos foram deportados da África para o Brasil, a Lei Eusébio de Queirós
proibira o tráfico de escravos da África para o Brasil, mas isso também não
valeu a pena, porque o tráfico de negros continuou na clandestinidade por um
bom tempo.
O período literário do “Romântico” no Brasil
principalmente a terceira fase, (condoreira), foi um dos alicerces para que
grupos de intelectuais influenciados principalmente na Revolução Francesa
formassem grêmios com o intuito de discutir uma política de apoio aos escravos.
Esses grupos deram origem às chamadas “Sociedades Abolicionistas” – essas
organizações tinham o objetivo de alforriar escravos, esconder negros fujões
das fazendas até que conseguissem achar um quilombo. Uma campanha foi
idealizada, mas quando deu certo não foi cumprida porque muitos negros após o
13 de maio de 1888, continuaram sendo escravos do preconceito e da discriminação
racial até os dias de hoje. A abolição de 13 de Maio foi inacabada porque a D.
Isabel apenas assinara com um traço de pena a Lei Áurea, uma vez que ela nunca
realmente lutou por uma bandeira abolicionista. Assinara por pura pressão
social. A abolição foi inacabada porque os afro-brasileiros ainda apresentam os
maiores índices de analfabetismo, as favelas, guetos e cortiços em suas grandes
maiorias são habitados (as) por negros; morre mais jovens negros no Brasil do
que jovens brancos; há quem diga é porque são pobres, sim a escravidão negra
sempre mostrou essa face criminosa do desamparo, da angústia, desrespeito e
pobreza, são pobres e são negros. Uma sociedade com problemas de escravidão não
tem como avançar no que diz respeito à economia e o progresso. A História do
Brasil é uma história feia, são páginas de opressão e sofrimentos, um sujeito
só faz um serviço com gosto se realmente for remunerado, claro que o progresso
se estende através do trabalho assalariado e livre. A escravidão negra ainda
nos reflete um quadro obscuro e sem escrúpulos, as lutas sociais, a rebeldia
dos jovens e os sonhos de um dia ter uma vida melhor, foram as bandeiras que
hasteadas para o sol nascente alcançaram a vitória de uma luta que durou mais
de três séculos. Essa luta que esteve na imprensa e nas linhas dos poemas
calorosos de Castro Alves, anunciara com muito otimismo a “A abolição Social” dos negros e negras dos nossos dias atuais.
Queremos ouvir o som do berimbau, do atabaque e do agogô...Queremos cantar e
brincar em homenagem às flâmulas que conseguiram a abolição mesmo pendente.
Essa luta é de todos nós! O Brasil precisa erradicar urgentemente a escravidão
social das páginas de nossa história.
“Minha alma ainda treme de frio e
indignação quando se lembra da chibata que assolou o couro dos meus irmãos
cativos.”
(anônimo)
José Antonio Basto
13/05/2024