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velha casa |
Onde fui nascido e criado
Nada vi o que deixei
Tudo estava transformado
Chorei buscando lembranças
Nas emoções do passado.
Ainda chorei magoado
Vendo a casinha singela
Onde meus pais e irmãos
Moravam lá dentro dela
É triste entrar numa casa
Sem ninguém morando nela.
Senti o cheiro de vela
Quando cruzei o batente
Um oratório sem santo
E as flores murchas na frente
Talvez querendo dizer:
_ "Aqui não mora mais gente".
E na parede da frente
Marcas do panhol de milho
O lugar do pote velho
E as formigas fazendo trilho
E o papero que a mãe
Fazia o mingau do filho.
Vi copo e colher sem brilho
Abandonados também
Achei a panela velha
Que cozinhava os terens
Depois que mamãe se foi
Não ferveu mais pra ninguém.
Vi desprezados também
O cepo e a mão de pilão
O espeto de assar carne
E as panelas no fogão
"Queimei as últimas lembranças
Na luz da recordação".
Por: José Antonio Basto
"A alegria da família é de ouvir em versos a velha casa dos pais feita de taipa, onde os irmãos foram nascidos e criados com alegria, em meio à mais pura simplicidade".