quarta-feira, 6 de maio de 2020

DIAS DIFÍCEIS: ESPERANÇAS DE NOVOS TEMPOS!


Vamos de sorrisos e não tristeza!
Dias difíceis descer a correnteza
Insistir na força e na certeza
De bons sonhos vir ao vento_
Neste brilho do olhar a cada dia_
Otimistas lutando com energias
Resistência magnífica em magia
Acreditando em novos tempos.


Foi uma época em que tudo era verdade
Sem sofrer nos mistérios da maldade
Vivia-se com felicidade...
Pois não se tinha bola de cristal!
Mas o mundo virou-se em agonia
Atingido por tantas epidemias
Levando muitos à laje fria!
Num golpe único e fatal.


Senhor Deus! Misericórdia deste mundo!
No piscar do olhar de um segundo
_ Com o poder maior e mais profundo
Sobre a ótica divina lá dos céus!
Tenha pena dos mais necessitados!
Os humildes desprovidos de cuidados
Ajude nesse tão pesado fardo...
Imploramos a ti! Oh SENHOR DEUS.

José Antonio Basto
Maio-2020.

domingo, 19 de abril de 2020

POETIZANDO: "Mucambo": A coragem dos Balaios!

Rio Mucambo
Cortaram matas fechadas, florestas e chapadas...
Com carabinas, bacarmartes e mosquetoes
Eram vaqueiros, camponeses dos sertões...
Que de "Manga do Iguara" saíram em disparada!

O Rio de negras águas os esperavam...
Com ansiedade... trincheiras e batalhas!
Sob as armas! Pólvoras e navalhas!
Para a aristocracia agraria jamais se ajoelhavam
.
E a chama da liberdade fluía no destino
Em cantos e recantos nas brenhas e barrocas!
Era a espingarda a espoleta que atira e desemboca
Na história dos heróis desde menino.

Em suas veias e ondas o sol ardente...
Foram-se transformadas em QUILOMBOS
É o mesmo que aldeia - Mucambo!
De vultos que habitaram e ainda são valentes!

Um rio que corre nas barreiras sobre o vento!
O "Rio Mucambo" de memórias e esperanças...
É um Rio que canta os sonhos de crianca!
O mesmo Rio que ultrapassara as paginas da historia e do tempo.

José Antonio Basto.
2020.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

BATUQUE DO PILÃO

Quando se anda pelas chapadas se ouve muitos sons: pássaros, cigarras, insetos, cantos de galos, gritos de caçadores, latidos de cães e tiros de espingarda. O Viajante solitário adentrava as chapadas e cerrados ao nível do Rio dos Pretos, com o intuito de visitar alguns velhos amigos que por ali deixara. As chuvas densas tem cartigado os caminhos daqueles vilarejos, esbarrocando e deixando marcas. Sem muito compromisso, a viagem a cada momento se tornava interessante, primeiro pelo fato da ideia de ter um dedo de prosa com os amigos camponeses sobre a questão da terra – polemica terra; depois para matar a saudade de andar por as matas sentindo o cheiro do chão e da natureza em busca de novas aventuras. A motocicleta atolava a cada obstáculo de lama, para complicar a situação levantava para o nascente as nuvens carregadas que prometiam um grande temporal desses de fevereiro. As chuvas dessa época não respeitam e nem aguardam por ninguém, ela desaba do céu sem muita piedade e quem estiver debaixo que se cuide. Então a santa água caiu com gosto e com força. O Viajante se encostara a um pé de bacuri para se proteger daquele temporal repleto de relâmpagos e trovoadas. Já era tardinha, por volta das cinco horas ou mais. A chuva foi passando e o tempo alimpando. Pensava-se de voltar, mas não desistira da viagem, ligou a moto e acelerou! A nambu de pé vermelho cantava à beira do caminho; os gritos de camponeses chamando uns aos outros ecoavam, desciam de suas roças e seguiam para suas casas. As estradas dos vilarejos do Baixo Parnaíba se modificam pela ação do agronegócio. Por isso para quem as não conhecem a fundo, fica muito fácil se perder pelos caminhos aplainados da Suzano. Uma ladeira de pedra dava acesso ao riacho Santa Rosa que mais em seguida descia no pequeno povoado. O Viajante se aproximava devagar, pois em áreas de conflitos se deve ter cuidado quando chega. O pilão roncava com suas batidas fortes tirando a palha do arroz, batida de pilão é coisa antiga – e bota antiga nisso. Dona Maria e Zé Souza os donos da casa davam as boas vindas ao amigo de lutas e convidava-o para jantar um capote ao leite de coco, que coisa boa e, ainda mais com o arroz natural da roça sucado no momento. Como recusar um convite desses. O Viajante ficava por ali mesmo, antes de seguir para as outras bandas da Comunidade Porção subindo as cabeceiras do Rio dos Pretos rumo ao Quilombo de Lagoa Amarela, Quartel General do Negro Cosme do tempo da Balaiada.


José Antonio Basto

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Algum tempo na terra


Poucos sabem da terra em que moram, alguns nem pouco, nem muito, demoram para entender. Pra que vender uma terra que tanto deu trabalho para conseguir? Se é que ela teve dono algum dia. Todos devem ou deveriam saber ao menos do seu real valor como mãe alimentadora de todos os filhos. Eles lutariam juntos, ajudou-se quando necessário e da maneira que se pôde ajudar, porque sabia-se da situação em que se encontrava o conflito. A ganância pelo dinheiro mudara o destino do vilarejo, tivemos que voltar lá para mais uma vez orientá-los a não vender suas terras, ou parte delas – pois com o passar dos dias perderiam tudo, não apenas eles, mas as outras chapadas e comunidades vizinhas. O capitalismo às vezes acaba mudando o pensamento e a ideia do homem. Esquecem dos dias de labutas e batalhas; abusa de um sistema, cerca suas vítimas sem que elas percebam. Pra que enriquecer? O homem simples do campo tem tudo que precisa quando tirando da terra que tudo dá... água, peixe, alimentos, frutos da mata e da lavoura. Precisam viver bem e a terra é sua grande mãe. Algum tempo passaria naquela terra e por que não passar! Se a terra donde moram há décadas, séculos fora sempre seu espaço de luta e vida. Ela daria muito trabalho para conquistá-la judicialmente – um conflito fora travado contra os que diziam serem donos. Os camponeses desistiram a ferro e fogo, com unhas e dentes alcançaram a vitória, graças a resistência e a coletividade. Portanto não há motivos para vendê-la.
                    
José Antonio Basto

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O Viajante lendo a chapada de forma diferente


O Viajante depois de muitos dias de viagem pelo leste, parava numa humilde choça das paredes de taipa e coberta de palha de babaçú. Se hospedaria ali naquela tijupá para repousar a noite e mais tarde seguir adiante, pois seu dia tinha sido bastante cansativo, percorrera toda aquela densa região de conflitos, acumulando o aprendizado. Era um herói? Talvez, com modéstia – esperava algumas mudanças e reformas que favorecessem os menos favorecidos e desprovidos de direitos. Este é o ofício que escolhera na esperança de novos tempos para colher bons frutos no futuro. Ao se abancar, perguntaria aos anfitriões do lar sobre a questão da terra – a conversa começaria antes do jantar que foi oferecido, pois jamais se dispensaria uma tradicional Iguaria de “galinha caipira com arroz de pequi” a pesar de tudo estava na chapada. A janta saiu com perfeição à luz de lamparina. Satisfeito! Em seguida surgia uma provocação que envolveria a situação fundiária do lugar. Poucos discutem sobre esse assunto que decerto é polêmico desde tempos bem remotos na história das civilizações; respeitava-se o momento – deixando-os à vontade. Mas as respostas supriam as indagações e a “prosa” prosseguira até o fim. O Viajante tirava de seu alforje alguns livros, textos, revistas e jornais velhos – veículos estes que alimentariam o gosto pela leitura e daria uma injeção de ânimo na luta pela posse da terra. Presenteava-os com carinho; recusaram de início, pois não sabiam ler nem escrever – descobrira então, óbvio! Mas respeitosamente aceitaram os presentes e os guardaram num baú seguro, pois dali tiveram a curiosidade de aprender a ler em uma demorada relação com as palavras e com a gramática. Só assim demonstrariam força intelectual e social para destrinchar os processos burocráticos no que diz respeito a defesa do território. Não conheciam o mundo das letras – e nunca leram nada – muito menos pisaram na escola; mas sabiam de cada pé de árvore da chapada – mostravam seus saberes e técnicas no extrativismo repassados de pais para filhos – curavam-se com remédios tirado das plantas medicinais – seus pais lhe ensinaram; não se perderiam nas veredas nem de dia, nem de noite, a energia era a luz da lua e das estrelas. Caçavam, pescavam, lavravam o chão e criavam pequenos animais para a alimentação e reprodução da família, o que detinham de mais valioso. Soletravam “lendo para entender a chapada de forma diferente”, coisas que a escola não ensina, adquiriram o diploma com o tempo. A existência e a convivência ensinaram essa nobre literatura onde uma minoria dar valor. Conversavam ao seu modo com a natureza numa comunhão e comunicação com o espaço em que vivem. Sabiam a hora pelo sol e o tempo de plantar e jogar a semente no período certo através do clima. Viviam Isolados do mundo civilizado e conectados com o meio ambiente. A cartilha era a própria terra, as folhas, os ventos, a enxada, o jacá e as chuvas de inverno. Formaram-se em todas as ciências, receberam prêmios valiosos e repassaram isso para as futuras gerações. Tiveram como mestres o tempo e a paciência que lhes ensinaram a mais bela das lições de vida.

José Antonio Basto
e-mail: bastosandero65@gmail.com    

sábado, 21 de dezembro de 2019

O vale dos cinco (5) leões


Certa vez assisti um clássico filme de ação “Rambo III” -, o mesmo que animava as tardes da garotada na Sessão da Tarde dos anos noventa. O enredo trata do veterano de guerra Rambo, que após  a Guerra do Vietnã se refugia num mosteiro em um vilarejo da Tailândia. Vivendo em paz e sobre as disciplinas dos monges budistas; ele tenta esquecer o mundo de guerra – mas se surpreende com a visita de seu coronel de pelotão Trautman que lhe convida para mais uma missão – desta vez, na fronteira do Afeganistão: com o intuito de tentar bloquear as ações dos soviéticos naquele país com a ajuda dos rebeldes afegãos. A sinopse do filme mostra: “O ex-soldado John Rambo que recusa um pedido de seu coronel Trautman, antigo líder de pelotão, para uma nova missão, pensando apenas em continuar com o seu novo estilo de vida, baseado na crença budista. No entanto, quando Trautman  raptado pelos russos na fronteira e o governo americano é incapaz de intervir oficialmente, Rambo decide agir por sua conta e risco”. Já assistir o filme várias vezes. Uma passagem me chama a atenção é quando o guia que leva Rambo até o forte soviético conta sobre a história dos afegãos; onde muitos tentaram conquistar seu país: primeiro “Alexandre O Grande”, depois Gengis Khan, a Inglaterra e agora a Rússia – mas eles nunca se renderam. O Guia contara uma velha lenda afegã que um certo rei impôs que cinco mil soldados deveriam ir para uma batalha, depois estudou que estes cinco mil, a maioria estava com medo, então dos cinco mil soldados ele elegeu os cinco melhores de todo aquele exercito. E os cinco soldados venceram a guerra naquele vale - campo de batalha que ficara conhecido como o “Vale dos cinco leões”. Isso também lembra a história do personagem bíblico Gideão que liderava uma guerra com milhares de soldados – dali, em uma batalha a maioria dos homens estavam com medo, ele pediu a Deus que ficasse só com os corajosos, restou destes, apenas trezentos e dezoito (318) guerreiros que alcançaram a vitória.
A narrativa tende objetivar a coragem das pessoas em certos desafios da vida. Nem sempre se vence uma guerra com legiões de soldados, muitos não tem coragem de agir, normal. No dia cinco de setembro de 2019, foi realizado o tradicional desfile das escolas da cidade de Urbano Santos – Maranhão. O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais resolveu botar em prática um velho pedido de nosso Bispo Diocesano e militante dos Direitos Humanos Don Valdecir. A ideia foi participar do evento com o “Grito dos Excluídos”. Fizemos uma convocação para todos os participantes que viajaram conosco para a Marcha das Margaridas – em Brasília, de 11 a 16 de agosto, os dois dias na Capital Federal foram 13 e 14. Infelizmente dos que foram, quase ninguém confirmou a participação em nosso chamado, não paramos com o projeto! Construímos uma faixa com os dizeres “GRITO DOS EXCLUÍDOS: A Amazônia pede socorro”. Pela manhã cedo estávamos na concentração, achávamos que vinha mais pessoas para nossa ala, que por mera conscidência fomos colocados pela organização do evento na última posição da fila, ironicamente excluídos mesmo! Mas talvez não fora por isso, foi porque decidimos comunicar já na véspera da atividade. Lembrando o filme do trecho acima, apareceu naquele momento somente “5 guerreiros” – estávamos dispostos e otimistas de mostrar nosso trabalho, ideologia e sentimento para com os excluídos e desprovidos de direitos deste país, como dizia Lula! Os povos e comunidades tradicionais que tanto sofrem. Nosso povo da zona rural, humilde, quase que esquecidos da sociedade, os que estão perdendo seus direitos conquistados com sangue e luta. A problemática da situação caótica da Floresta Amazônica nos dias atuais sendo devastada pelo fogo, por grileiros e grandes projetos de mineração e barragens. Os índios, quilombolas e caboclos que moram e vivem da terra e das águas. Esta foi a mensagem que os “Cinco Leões” mostraram para os espectadores.
Muitas das vezes a coragem das pessoas é medida de acordo a ocasião. Muitos pensamentos nos ensina a lição dos que ousam e tem coragem de vencer. Numa guerra, nem todos tem coragem – isso muito depende do sistema genético de cada um de nós. As vezes o sangue ferve nas veias – então a coragem aparece do nada, fica escondida somente por algum momento, surge como um tiro de espingarda no estampir da fumaça. Alguém escrevera e nos deixou a lição no estandarte da história. “A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras qualidades”. “Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem”. “Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo”. “A coragem cresce com a ocasião”. Por fim a melhor delas diz: “A coragem não é ausência do medo; é a persistência apesar do medo”.

José Antonio Basto - Setembro – 2019.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

TRÊS DÉCIMAS À BALAIADA - [Uma guerra versada por dentro da história de Urbano Santos-MA]

Mote: "No sertão rega o sangue corajoso / Dos Balaios que lutaram bravamente".


Muralhas de Santa Maria - U. Santos

I
Foi um dia a história recontada
Na certeza de avistar a liberdade
Numa época de luto e de maldades
Quando o sonho era a sombra registrada
Um vaqueiro destemido e sua boiada
Atravessava as fronteiras livremente
Quando bate os ferrões e as correntes
Lhes prender como bandido perigoso
No sertão rega o sangue corajoso
Dos Balaios que lutaram bravamente.

Canhão da fazenda Boa União - U. Santos

O peão Raimundo organizou
Sua tropa de rebeldes companheiros
E saiu como líder mensageiro
Pelas matas muitos dias se acampou
Entre tiros que tanto disparou
Em soldados que estavam em sua frente
Foi daí que plantara a semente
Num período um tão quanto tenebroso
No sertão rega o sangue corajoso
Dos Balaios que lutaram bravamente.


Tacho de ferro -, antiga fazenda São José das Mangabeiras - U. S

III
Conquistaram cidades e vilarejos
Caxias tornou-se quartel general
Urbano Santos, Chapadinha, Brejo e Angical...
Foram rotas dos bravos sertanejos
Insurretos que sonharam e desejos
Que soava a música comovente,
São os heróis do povo mais carente
Retratados no hino vantajoso
No sertão rega o sangue corajoso
Dos Balaios que lutaram bravamente.
José Antonio Basto
Poeta popular / Escritor / Pesquisador
e-mail: bastosandero65@gmail.com
cel. (98) 9 8517- 0214
(Imagens: "1- Muralhas de Santa Maria - antiga Fazenda de João Paulo de Miranda, U. Santos; 2 - Canhão de pelouros da antiga Fazenda Boa União, U. Santos e 3 - Tacho de ferro da antiga Fazenda São José das Mangabeiras - hoje Mangabeira Bacelar, U. Santos.

# Em homenagem à Insurreição dos Balaios – Guerra da Balaiada (1838-1841). Saudação aos heróis populares que ousaram corajosamente lutar pela dignidade do seu povo e sobretudo pela liberdade da camada mais pobre e excluída da sociedade: sertanejos, vaqueiros, caboclos e escravos que habitavam o interior do Maranhão naquele período regencial.