terça-feira, 20 de junho de 2023

Pelas trilhas do assentamento

     Pensava-se num trabalho, um tão quanto literário –, quase crítico, mas não tanto assim. O “Programa Jovem Saber” da Contag e Fetaema – em parceria com os STTRs, convidara-nos para uma pequena pesquisa na casa de um morador do “P.A – Projeto de Assentamento do Povoado Estiva da Mangabeira”, em Urbano Santos, Baixo Parnaíba maranhense. Friviar por aquelas bandas é relembrar o passado histórico do processo de dominação das terras de famílias influentes que detinham do poder cartorial e da estrutura agrária herdada pelos portugueses desde o império do Brasil - para suas elevações econômicas. Pois terra sempre foi sinônimo de capital e poder. Isso é fato.

    Três companheiros seguiram numa manhã cedo de inverno para desenvolver as pesquisas e aproveitar para visitar velhos amigos de lutas durante o percurso. Eram seis horas da manhã, quando o carro buzinava convidando para seguir cortando os povoados: “Bacaba, Frankylândia, Palmeirinha, Cacimbinha, Baixa do Cocal I e II, Ingá, Santana, São Felipe, Primavera, Mangabeira Velha até Estiva da Mangabeira (Fazenda São Paulo). O “6º Módulo de estudo do Programa Jovem saber”, convidou-nos para uma experiência sistemática, prática e teórica sobre o entendimento do processo de Reforma Agrária no município onde vivemos, suas indiferenças, sonhos e utopias. Um romantismo pregado que se alicerça no pensamento e que algum dia possa chegar como direitos, poeticamente no canto: “Nosso direito vem”.. [...]. Convidava para uma reflexão sobre a participação da juventude na “política de sucessão rural”. Na participação como agentes sucessores da Reforma Agrária, críticos e voluntários de um trabalho de seus avós que começaram há muito tempo atrás e que eles devem entender sobre a continuação desta obra. As brigas de terra para aquelas bandas e em toda região próximas ao rio preguiças são bem antigas – porque remontam o ciclo das fazendas de cana; assim também como em boa parte dos territórios que ligavam as estradas de acesso à cidade de Brejo e Vila de Miritiba. Na narrativa que se tratava das primeiras lutas na área que foi desapropriada pelo Incra, retrata a resistência dos trabalhadores rurais em não aceitar a pagar mais uma parte de sua produção para os donos da terra. O capítulo é bem antigo desde a habitação dos caboclos sertanejos na época da Balaiada em meados do século XIX. Mas só começaram de fato se organizar na luta pela terra na década de 60 e 70 – anos esses em que o “movimento camponês” ganhava notoriedade no cenário nacional, principalmente no Nordeste, sendo esta, a mais velha categoria e movimento - MSTTR, que tardou tanto para se organizar. Isso vale lembrar a grande participação dos padres e o papel da Igreja Católica na MEB – (Movimento de Educação de Base) e da fundação das CEBs - (Comunidades Eclesiais de Base) – no leste maranhense. A luta organizada dos camponeses resultou depois de quinze e vinte anos na desapropriação do complexo de “Assentamento Mangueira / Data Mangabeira” na década de noventa. Foi o inicio de uma batalha que deu os primeiros passos com relação à posse da terra e a construção de pequenas e rudimentares casas para as famílias cadastradas. O morador o qual nos recebeu falava do problema da comunicação social naquela época, que para se deslocar até a cidade de Urbano Santos ou tinha que ir a pé ou de animal... na maioria das vezes andavam de trinta a quarenta quilômetros para resolver seus negócios na cidade. Ele faz uma autocrítica sobre a realidade da reforma agraria, que não é apenas nos assentamentos de Urbano Santos, mas em todo país – principalmente agora com o retrocesso de transformações politicas do atual governo central: “No Brasil não existe reforma agrária, existe apenas uma pequena política de assentamentos fundiários e agora infelizmente ameaçado, explica”. Dá-se ao entender que no entendimento daquele assentado a reforma agraria não é simplesmente assentar famílias camponesas no meio da chapada seca sem água e sem assistência técnica para a agricultura, sem os meios necessários para sobreviver. Deve no mínimo se ter infraestrutura básica, saúde, assistência técnica, educação e outras politicas de desenvolvimento social que completam o verdadeiro sentido da Reforma Agraria, que estão muito longe de nossa realidade.

    A família mora e produz na terra: pimenta malagueta, coco da praia, farinha de puba e criam pequenos animais para a alimentação. Sobre as laterais da casa tem um grande morro com árvores preservadas, além de um riacho de águas claras que passa na frente da moradia. O trabalho foi concluído até meio dia. Será editado e enviado para a coordenação da Fetaema e em seguida para a Contag para avaliação. Foi muito válido o aprendizado para conhecer mais de perto a realidade da historia do assentamento. Página essa que as vezes, ou talvez, a maioria dos moradores não conhecem. Voltamos pela mesma trilha com mais uma das tantas tarefas cumpridas.

 

José Antonio Basto

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Havia uma chapada que lutava

Ela cantava junto aos passarinhos, junto ao céu azul... seu chão avermelhado clamava pela vida, o campo era denso, os capins com suas lágrimas e orvalhos lutavam pelo bem de todo seu povo, de toda sua biodiversidade. Ela lutava pelas comunidades que habitam seu espaço territorial. Aquela chapada ficava nos confins do leste maranhense, no Baixo Parnaíba, terra de conflitos e problemas socioambientais. Outrora sua realidade era totalmente diferente, havia muitos animais por lá... pedras que jorravam água em suas cabeceiras. O sonho não terminara, apesar da problemática da monocultura que invadiu suas áreas de florestas e brejos; talvez a esperança possa inundar o pensamento de otimismo sobre a calmaria de uma cabeceira de rio; uma nova história será contada com as verdadeiras personagens desse teatro real, no cenário dos desprovidos que batalham por direitos sociais. Os bacuris daquela chapada reclamam até os dias de hoje, pois o mundo em que moram estar devastado pela ganancia da monocultura. As comunidades agroextrativistas viajam pelo cerrado, em seus afazeres na colheita dos frutos, em seus roçados, em suas caçadas – a mãe natureza suprem as necessidades do bem comum de todos que acreditam e lhes protegem, ali “Havia uma chapada que lutava” na esperança de novos tempos.

José Antonio Basto

 

domingo, 28 de novembro de 2021

A casinha do Balaio

 


Lá estava ela, a casinha do balaio!

À beira do caminho nas veredas do sertão...

De palhas de coco e bem humilde!

Sobre a mesa uma lamparina clareava a escuridão.


Lá o pote no cambito, uma forquilha!

Nos terreiros das folhas o vivo jasmineiro

O carrapicho alegre jogava sua semente...

E brotava do ofício um ancião mensageiro.


O balaio carregava sua cabaça a tira-colo!

E voltava com a espingarda de uma caçada 

_ Nem um tiro! E nada nestas matas!

Roncava a liberdade nas chapadas. 


Rio dos pretos, águas barrentas na folhagem...

Cantavam as galinhas, ao longe um latido!

Escutava-se a pancada do velho machado...

E o babaçú nas palmeiras um batido. 


Quebradeiras numa técnica sem igual...

A panela cozinhava um tatú...

De longe da Lagoa Amarela se ouvia:

Pela madrugada o cantar do cururu.


A casinha do balaio lá estava com seus brilhos!

Bem plantada numa terra de memória!

Balaiada quase dois séculos já escrita 

No livro do panteon da história.


José Antonio Basto

Novembro - 2021.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Casa de taipa abandonada


velha casa
Voltei pra rever a casa

Onde fui nascido e criado

Nada vi o que deixei
Tudo estava transformado
Chorei buscando lembranças
Nas emoções do passado.

Ainda chorei magoado
Vendo a casinha singela
Onde meus pais e irmãos
Moravam lá dentro dela
É triste entrar numa casa
Sem ninguém morando nela.

Senti o cheiro de vela
Quando cruzei o batente
Um oratório sem santo
E as flores murchas na frente
Talvez querendo dizer:
_ "Aqui não mora mais gente".

E na parede da frente
Marcas do panhol de milho
O lugar do pote velho
E as formigas fazendo trilho
E o papero que a mãe
Fazia o mingau do filho.

Vi copo e colher sem brilho
Abandonados também
Achei a panela velha
Que cozinhava os terens
Depois que mamãe se foi
Não ferveu mais pra ninguém.

Vi desprezados também
O cepo e a mão de pilão
O espeto de assar carne
E as panelas no fogão
"Queimei as últimas lembranças
Na luz da recordação".

Por: José Antonio Basto

"A alegria da família é de ouvir em versos a velha casa dos pais feita de taipa, onde os irmãos foram nascidos e criados com alegria, em meio à mais pura simplicidade".

































segunda-feira, 4 de outubro de 2021

As Santas Rosas


Mística com a comunidade Santa Rosa

As Santas Rosas! Santa Rosa dos Garretos e Santa Rosa do Moisés. Algo em comum com as duas comunidades tradicionais que estão localizadas na região central do Baixo Parnaíba maranhense / são dois vilarejos com situações de conflitos parecidos, estão numa área de transição entre municípios do Baixo Parnaíba maranhense. Porque muitos povoados ainda carregam consigo o nome do proprietário, da pessoa que se dizia o antigo dono? Os Garretos remonta uma família de proprietários de muitas faixas de terras de Mata Roma, Anapurus e Urbano Santos, herdaram terras além da conta – terras soltas, terras – chapadas sem fim que até então não tinha dono... terras devolutas do estado que abarcaram e registraram como suas. Essas terras foram sendo ocupadas ao longo do tempo e ao mesmo tempo sendo palco de conflitos agrários, como o de Santa Rosa dos Garretos que se iniciou em 2012 e continua até hoje. O velho Zé Souza que já foi vítima de despejo é um dos moradores que ainda resiste essa situação de conflito. Santa Rosa do Moisés – fica mais um pouquinho adiante da dos Garretos. A mesma região cortada pelo riacho e pelo Brejo, apenas com cognomes / sobrenomes diferentes. Santa Rosa do Moisés, um conflito novo. Dona Maria José – que foi nascida e criada lá, hoje com 78 anos, contara
  sua história, que o nome do aldeamento remonta o de um dos primeiros proprietários – “o velho Moisés” – que depois de sua morte a terra tradicionalmente na linha hereditária ficou para seu filho Dé Amorim e que este deixara para Neifran - filho mais velho que pretende vender para os chamados gaúchos que também já compraram parte de Bacabal. São 551 hectares de terra, no vilarejo moram e trabalham de roça 12 famílias camponesas, vivem há muito tempo, os mais velhos nasceram e criaram seus filhos e netos naquela área, continuam lá trabalhando de roça, caçando e pescando numa vida pacata. Certo dia, há não muito tempo atrás, chegou uma pessoa estranha no povoado dizendo que aquela terra já estava vendida e que os moradores tivessem a compreensão de que nada tinham mais ali, apenas receberiam 1 hectare de terra para não ficarem desobrigados. Naquela manhã, os homens estavam pra roça... as mulheres foi quem recebeu a indelicada visita e mensagem por parte do homem que anotava seus nomes num computador notbook. Era mais pra um grileiro do que um comprador de terra. Ficaram apavoradas, inquietas e sem ação naquele momento. O forasteiro ainda disse que se não aceitassem, perderiam tudo. Quando seus maridos chegaram das roças receberam a noticia; preocupados, fizeram uma pequena reunião e decidiram recorrer ao órgão responsável por essas questões agrárias: o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Urbano Santos. Precisariam saber de quanta hectares um trabalhador tem direito numa terra onde nasceu e foi criado há mais de 50 anos -, esta negociada em acordo extra-judicial. E se o Sindicato estava sabendo dessas pessoas que foram comprar a terra de Santa Rosa do Moisés. Era um dia de reunião do Conselho Deliberativo, mas achou-se um tempo curto para ouvi-los. Após as falas, foi-se marcado uma reunião urgente na segunda-feira, 30/08/2021 – o que aconteceu. Para melhores esclarecimentos a respeito da terra e do conflito futuro ou já bem presente. No inicio da tarde a diretoria do Sindicato se dirigiu àquela comunidade, que até então era um lugar novo onde o Sindicato ainda não tinha ido. A toyota cortava as chapadas da conhecida estrada de Bacabal e Santa Rosa... descia uma íngreme ladeira, adrenalina certa... chegava-se no riacho que divide as “Santas Rosas”. O Carro balanceava, vídeos e fotos foram gravadas. As primeiras casas foram avistadas: uma coisa chamava toda atenção em relação aos outros povoados por onde se anda constantemente: “a limpeza!” Todos os quintais muito bem limpos, nada de sacolas no chão, não se viu nenhum saco de suquinho, a terra limpa dos quintais e as cercas de camas que refletiam um ar de pureza. A reunião fora marcada para 3 horas da tarde, chegamos com alguns minutos atrasados, mas por causa da estrada. Enquanto o povo chegava pra reunião, os companheiros e companheiras foram treinar quebrando coco babaçu para distrair. Todos chegaram e a reunião começou com a fala da presidente do Sindicato, Francisca Maria que apresentou sua comitiva da direção sindical: Maria Noemia, Desanilde, Francisco, Seu Jorge, Ronaldo, José Antonio e Izaias. E prosseguiu com uma breve apresentação dos nomes dos trabalhadores presentes. Uma breve fala e depoimentos foram frisados com o intuito de dá uma injeção de ânimo nos moradores, explanações sobre problemas fundiários e socioambientais. Orientados para não fazer acordos sozinhos, para não aceitarem apenas 1 hectare para cada morador, que se associassem no Sindicato para ter mas forças e sobretudo para se manterem sempre unidos nas decisões. Procuraram o Sindicato porque tendem um acordo justo com terras suficiente para trabalhar e sustentar suas famílias. A região central em que as “Santas Rosas” estão localizadas é a região central do Matopiba. Região essa, sendo a última fronteira agrícola do cerrado do Baixo Parnaíba e um das poucas do Maranhão, invejada e desejada pelo agronegócio de chineses, japoneses, americanos e outros estrangeiros que com seus modos de produção avançadas tendem agredir com veneno e agrotóxico o meio ambiente e as famílias vulneráveis da região. Os moradores talvez não sabiam disso, mas após a importante reunião com as explicações, ficaram curiosos e sabendo mais sobre sua terra, seus direitos e sobre também quem deseja suas áreas de matas, águas, chapadas e todos os recursos naturais. A terra para os ricos é sinônimo de capital e poder. Para os pobres é mãe. Eles devem resistir até o fim, primeiramente eles, as entidades de defesa estão para as orientações. Depois da troca de experiências e informações, foi feito uma linda mística no pátio debaixo do pé de manga. E Após cantar a música de comunidade “Irá chegar” – todos se despediram. A reunião acabava ali e ficava como encaminhamento o acordo justo de mais de 200 hectares para os trabalhadores rurais e quando fosse feito que seria naquele lugar na presença dos moradores, do Sindicato e dos nossos advogados. Voltamos para casa com a sensação de dever cumprido.

 

José Antonio Basto

30/08/2021.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

O DIREITO À TERRA É DE QUEM TRABALHA NELA

Assembléia com participação popular

As palavras do poeta dizia: “O direito a terra é de quem trabalha nela / A terra, ela é sagrada pra quem trabalha a terra/ Enquanto haver ternura, haverá esperança/ Enquanto a canção tocar, haverá outro lugar/ Enquanto nossas ações chegar às multidões, haverá pão para matar a fome dos oprimidos/ Enquanto existir a vida... Haverá esperanças/".
Bispo Dom Valdecir e J. A. Basto

A terra para o agronegócio, para as grandes empresas é sinônimo de capital e poder, a terra para esse sistema capitalista é um espaço sem gente... sem vida, para eles interessa somente os lucros... O dinheiro. Já a terra para as comunidades rurais é algo sagrado... É vida... Uma reforma agrária com gente e participação popular, necessita-se da terra como uma mãe precisa de filho. Esta é a reforma agrária que os camponeses brasileiros sempre quiseram, sempre sonharam com o “Projeto Alternativo de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário”. Eles acordavam cedo para a viagem de Urbano Santos a Brejo que mede em torno de 119 km: a Francisca, o José Antônio Basto e o Raimundo do Juçaral. Tinham sidos convocados para participarem do “ENCONTRO DE COMUNIDADES RURAIS SOBRE QUESTÕES AGRÁRIAS NA REGIÃO DO BAIXO PARNAÍBA”, realizado no Salão Diocesano do Seminário Santo Antônio, na cidade de Brejo-MA, em 13/09/2021. A problemática foi levantada especificamente sobre os impactos agrários e socioambientais nos povoados  tradicionais deste imenso território, principalmente causados através do agronegócio da soja e eucalipto.
Francisca, Drª Luzia e J. A. Basto

O encontro que é parecido com uma audiência pública / (ouvidoria), acontecera em dois momentos: o primeiro pela manhã com uma abordagem geral - análise de conjuntura a respeito das situações fundiárias no Brasil e Maranhão coordenado pelo Advogado Agrário - Dr. Diogo Cabral que presta assessoria jurídica para a Fetaema e Diocese de Brejo e pelo Pe. Chagas do velho “Fórum em Defesa da vida do Baixo Parnaíba”. E o segundo momento foi uma ouvidoria e troca de experiencias com a presença da Juíza Agrária (Vara Agrária do Maranhão), Drª Luzia Medeiros que se apresentou como Juíza Agrária desta instituição jurídica implantada em 2019 em São Luís, mas atende todo estado do Maranhão. Ela explanou que a Vara Agrária é o melhor caminho para promover e dar celeridade aos julgamentos dos processos que tratam de conflitos fundiários, conciliando e julgando os dissídios coletivos que tratem de demandas relativas à propriedade, posse e uso da terra.
Drª Luzia, Raimundo e Francisca - (STTR)

Drª Luzia disse que passou a se empenhar na “área jurídica agrária” para melhor entender e ajudar nos andamentos de processos antigos que vem tramitando há alguns anos. Explicara que mais de 50% das terras do Estado do Maranhão não tem definição no que diz respeito à sua devida titulação e regularização de áreas devolutas, também chamadas de área nebulosas (sem registro), terras sem dono. Disse que aprendeu dentro do sistema processual reconhecer a luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais nessa pespectiva da luta por um pedaço de chão para se trabalhar com dignidade. Frisou ainda que, se o cidadão trabalhador rural mora há mais de 10 anos na área é possível requerer a posse da terra pelos processos burocráticos de (usucapião – “aquisição de propriedade móvel ou imóvel pela posse prolongada e sem interrupção, durante o prazo legal estabelecido para a prescrição aquisitiva”), de registro, principalmente.
roda de conversa

Onde parte das vias cartoriais, emissão de certidões negativas, requerimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), declaração de atividade rural do STTR reconhecendo a posse e o tempo em que os agricultores vem trabalhando e outros documentos... Assim, toda documentação estando pronta é possível a titulação e regularização fundiária dos imóveis. A lista de presença contabilizou 75 pessoas de 21 municípios – representantes de diversas entidades que compõe o movimento social, onde muitas dúvidas foram tiradas a respeito da temática um tão pouco polêmica, principalmente na região do leste maranhense em centenas de conflitos agrárias envolvendo fazendeiros, grupos empresariais e famílias camponesas.

 Texto e fotos: José Antonio Basto

Brejo, 13/09/2021.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

PARTIU ZÉ MARTINS! UM DOS ÚLTIMOS GUERREIROS DE COMBATE DAS CEBs, DOS DIREITOS HUMANOS E DO MOVIMENTO SINDICAL. SE FOI UM FILHO DE URBANO SANTOS. (Saudações em memória ao grande companheiro).


JOSÉ FERREIRA DA SILVA, vulgo Zé Martins. Foi um grande lutador, o último dos guerreiros de combate, assim como Manoel da Conceição que também partiu esta semana desta vida para outra, os dois tem histórias parecidas nas páginas das lutas populares. Zé Martins muito ajudou no movimento das Comunidades Eclesiais de Bases, graças ao seu empenho e de outros nomes que os Povoados de nosso município tem histórias de resistência e fé. E também foi um dos maiores construtores  do "Movimento Sindical Rural" em Urbano Santos e região, engajado nas lutas pelos direitos humanos no Baixo Parnaíba. Agricultor, militante do PT, católico, pai de família. Ainda nas décadas de sessenta e setenta ajudou na criação das primeiras CEBs em Urbano Santos e região, como a primeira CEB no Povoado Santo Amaro, apoiado pelos Padres Xavier e Zé Antônio. Com destaque na luta popular se tornou pregador da Teologia da Libertação e com sua grande inteligência defendia o socialismo, os pobres e desprovidos de direito. Os coordenadores de comunidades decidiram então  apostar em Zé Martins como candidato a vereador, onde foi eleito, na câmara sua voz era a voz dos oprimidos. Ainda na década de setenta defendeu os Padres, que até então estavam sendo interrogados e detidos pela Polícia Federal em São Luís acusados de subversivos, simplesmente por defender a terra e os pobres, onde teve êxito nesse feito de muita coragem.Viajou, ensinou e aprendeu muitas lições de vida, sempre com humildade. "FOI UM AMIGO, UM LUTADOR... UM VELHO GUERREIRO" que deixou um legado importante enquanto viveu. Sua história remonta as lutas populares em defesa da vida, com relação ao meio ambiente, a reforma agrária e melhorias de vida para os desprovidos de direito. Merece uma grande homenagem, quem sabe um "livro com sua biografia extraordinária" e acima de tudo ser sempre lembrado em nossas mentes, para que a luta que ele começou dê continuidade com as nossas forças. "Nosso sentimento de pesar à família!" Siga por um caminho de luz e paz. Saudações eternas.