terça-feira, 1 de março de 2016

ESCASSEZ DE ÁGUA E A FALTA DE TERRA NO BAIXO PARNAÍBA MARANHENSE - O “MATOPIBA VEM AÍ!”. OUÇAMOS O GRITO DE SOCORRO DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS".



Mulher lavando roupas no rio Boa Hora - comunidade Santa Maria - Urbano Santos
A Região do Baixo Parnaíba Maranhense ainda é muito rica em chapadas onde se localizam as nossas cabeceiras de rios e riachos, apesar do grave problema do agronegócio que toma as terras e suga grande parte dos recursos hídricos da região. As populações tradicionais que moram nesse território precisam diretamente das águas e das terras para manter suas sobrevivências, estas comunidades vivem ameaçadas por empreendimentos capitalistas desde muitas décadas atrás, modificam a paisagem e os modos de vida das comunidades atingidas. Primeiro foi o eucalipto que chegou no final da década de 70, depois a soja e outras monoculturas no inicio dos anos 2000. Os problemas fundiários são na maioria causados por invasões de fronteiras agrícolas e extrativistas dos camponeses (as); pois os trabalhadores (as) rurais já se reproduziam há séculos e séculos nessa região. Segunda as palavras do meu amigo Luiz Alves Ferreira, quilombola de Saco das Almas em Brejo, militante do CCN – Centro de Cultura Negra do Maranhão, médico e professor de patologia da UFMA e do mestrado de Saúde e Meio Ambiente, o mesmo dizia certa vez em sua fala documentada “Em vários trechos do Baixo Parnaíba maranhense, Cerrado e Semi-Árido e Mata dos Cocais lavam as mãos e os pés juntos nos rios que formam as bacias do Rio Parnaíba e do Rio Preguiças e que, com suas águas, abastecem as cidades do Baixo Parnaíba”.
Rio Mocambo - comunidade Bandeira - Urbano Santos
Com isso é verdade que o problema da escassez de água não atinge apenas as áreas rurais donde brotam as fontes, mas também as cidades, onde vivem a maioria das pessoas. PARA LEMBRETE, o Baixo Parnaíba Maranhense será atingido diretamente pelo grande impacto da NOVA FRONTEIRA AGRÍCOLA, conhecida como MATOPIBA, que resulta de um acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Essa expressão designa uma realidade geográfica que recobre parcialmente os quatro estados mencionados, caracterizada pela expansão de uma fronteira agrícola baseada em tecnologias modernas de alta produtividade. VAI PASSAR EM 31 microrregiões e 337 municípios dos quatro estados que compõem a região. Ele resulta de um significativo Acordo de Cooperação Técnica assinado entre o INCRA e a Embrapa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, nesse território existem 324.326 estabelecimentos agrícolas E reúne 337 municípios e uma área total de 73.173.485 ha.  SÓ NO MARANHÃO O PROJETO ABRANGERÁ 33% DO TERRITÓRIO ESTADUAL, (15 microrregiões, 135 municípios, SOMANDO UM TOTAL DE 23.982.346 Hectares de terra). As projeções indicam que essa região, deverá produzir 22,6 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2023/2024 e uma área plantada de grãos entre 8,4 e 10,9 milhões de hectares ao final do período das projeções.
Riacho da comunidade Bom Princípio - Urbano Santos
A Ministra da Agricultura KÁTIA ABREU,
afirmou aos empresários árabes e as autoridades de vários países que o MATOPIBA terá um projeto específico de (desenvolvimento), e destacou que o Plano de Investimentos em Logística (PIL) prevê R$ 198,4 bilhões em concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, melhorando a logística de escoamento da produção de alimentos. (Fonte: www.sna.agr.br). PERGUNTAMOS ENTÃO, QUE DESENVOLVIMENTO É ESSE QUE SÓ BENEFICIARÁ OS GRANDES EMPRESÁRIOS? NESSE CENÁRIO COMO VAI FICAR OS CAMPONESES (AS) TRABALHADORES (AS) QUE DESENVOLVEM SUAS PRÁTICAS TRADICIONAIS NA AGRICULTURA FAMILIAR DE SUBSISTÊNCIA? E AINDA MAIS, PARA ISSO, TODOS NÓS SABEMOS que a pouca água que resta em nossa região será utilizada nesse imenso e perigoso empreendimento. OS POVOS TRADICIONAIS NÃO SERÃO BENEFICIADOS, FICARÁ APENAS UM LEGADO DE DESRESPEITO E AMEAÇAS CULTURAIS, ALÉM DA VOTA DA GRILAGEM DE TERRAS E O AUMENTO DOS CONFLITOS FUNDIÁRIOS E SOCIOAMBIENTAIS EM NOSSA REGIÃO.

José Antonio Basto
Ativista ambiental pelos direitos humanos
 
                                                         

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

COMUNIDADES TRADICIONAIS PELA SOBERANIA, SEGURANÇA ALIMENTAR E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


ação ambiental -, comunidade São Raimundo - Urbano Santos
Comunidades tradicionais como o São Raimundo - zona rural do município de Urbano Santos, região do Baixo Parnaíba maranhense, ensina e valoriza suas técnicas tradicionais na agricultura e na culinária popular, que varia dos produtos extrativistas tirados das chapadas como o bacuri e um almoço de pato caipira com leite de côco babaçú. A segurança alimentar destas comunidades são importantes para a saúde de seus moradores que contradiz o modelo de produção agroexportador com seus produtos tóxicos prejudiciais a saúde das populações tradicionais da fauna e da flora. A ideia de se preservar o que se tem, o que as florestas e as águas oferecem são bandeiras do movimento social em defesa da biodiversidade pela soberania dos seus povos: caboclos, quilombolas, ribeirinhos e chapadeiros. O grande problema é que as áreas de conservação, preservação, cultivos e manejos das nossas comunidades estão sendo ameaçadas pelo agronegócio, principalmente a monocultura do eucalipto e da soja. As comunidades rurais são as verdadeiras donas dos seus territórios livres, elas devem ocupar e proteger esse território, sendo que precisam diretamente dos recursos naturais que a natureza tem.
bacurizeiro da comunidade Bom Princípio - Urbano Santos
Estes povoados estão no mapeamento das áreas de conflitos na luta pela posse e uso da terra. Existem processos fundiários no INCRA e no ITERMA que se arrastam há décadas e as associações esperando seu título, em meio a isso enfrentam no dia-a-dia os entraves dos conflitos, seja com latifundiários, seja com grupos empresariais. Entendemos que o atual modelo de desenvolvimento rural e agrícola do Brasil está passando por uma transição. O desafio é superar a dicotomia entre produção e proteção ambiental, por meio da integração dos objetivos e instrumentos das políticas ambientais e agrícolas dentro do marco geral do desenvolvimento sustentável.
abacaxi -, comunidade Sucupira - Anapurus 
Fazer a transição para o desenvolvimento rural sustentável depende da motivação e construção de consensos, mediados por uma relação democrática e com diálogo entre a política ambiental e as populações rurais. A transição para a sustentabilidade do rural é entendida e conduzida como parte estruturante do projeto de desenvolvimento nacional em curso, cujo objetivo central é assegurar o crescimento econômico com redução das desigualdades sociais, da pobreza e da fome, com conservação dos recursos naturais e da capacidade produtiva dos ecossistemas. Partindo da conjutura nacional, as comunidades tradicionais são definidas d
e acordo com o estabelecido Decreto nº 6.040, de 07 de fevereiro de 2007, que diz em sua redação: "São grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.
cajueiro da comunidade São Raimundo - Urbano Santos
As ações voltadas aos povos tradicionais são instituídas através do Governo Federal para o crescimento dessas comunidades com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável dos Povoados, com ênfase no reconhecimento, fortalecimento e garantia dos seus direitos territoriais, sociais, ambientais, econômicos e culturais, com respeito e valorização à sua identidade, suas formas de organização e suas instituições. Por isso entende-se que esse conjunto de
tradições, práticas e costumes ajudam a compor capítulos importantes da história de formação e modos de sobrevivências destes povos, as comunidades rurais do Baixo Parnaíba. 

José Antonio Basto
Militante em Defesa dos Direitos Humanos e da Vida
e-mail: bastosandero65@gmail.com
(98) 98607-6807

 

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

COMUNIDADES TRADICIONAIS PELA SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR


pato ao leite de côco - pov. São Raimundo
Comunidades tradicionais como o São Raimundo - zona rural do município de Urbano Santos, região do Baixo Parnaíba maranhense, ensina e valoriza suas técnicas tradicionais na agricultura e na culinária popular, que varia dos produtos extrativistas tirados das chapadas como o bacuri e um almoço de pato caipira com leite de côco babaçú, a exemplo deste da imagem. A segurança alimentar destas comunidades são importantes para a saúde de seus moradores. A ideia de se preservar o que se tem, o que as florestas e as águas oferecem, são bandeiras do movimento social em defesa da biodiversidade pela soberania dos seus povos: caboclos, quilombolas, ribeirinhos e chapadeiros. O grande problema é que as áreas de conservação, preservação e cultivos e manejos das nossas comunidades  estão sendo ameaçadas pelo agronegócio; principalmente a monocultura do eucalipto e da soja. Os trabalhadores rurais das comunidades tradicionais são as verdadeiras donas dos seus territórios livres e elas precisam ocupar e proteger, pois elas precisam diretamente dos recursos naturais que a natureza tem. Estas comunidades estão no mapeamento das áreas de conflitos na luta pela posse e uso da terra em nossa região, existem processos fundiários no INCRA e no ITERMA que se arrastam há décadas, pode-se entender que as tradições, práticas e costumes das comunidades ajudam a compor capítulos importantes da história de formação e modos de sobrevivências dos nossos povos rurais. 

José Antonio Basto

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A PRODUÇÃO ALTERNATIVA DAS COMUNIDADES DAS CHAPADAS E DOS BREJOS NA REGIÃO DO BAIXO PARNAIBA MARANHENSE




família camponesa descascando mandioca, comunidade Baixa Grande - U. S
Elas sempre foram independentes! Elas sobreviveram séculos e séculos vivendo do extrativismo e da agricultura familiar nos seus manejos tradicionais. A mandioca para a fabricação de farinha e bejú remonta os períodos milenares destes povos. Os trabalhos eram ensinados de pai para filho, o pai ensinava seu filho a caçar, pescar, fazer armadilhas como o quebra, a arapuca, quixós e jiquis... assim, construindo um laço cultural de ensino-aprendizagem; a mãe ensinava suas filhas a pescar nas lagoas, nos igarapés, fabricar instrumentos de pesca como o landuá e tarrafas de linho de tucum. Os camponeses e ribeirinhos viviam em comunhão nesse território livre. Para entendermos esses processos, essas comunidades são livres, mas para manter suas sobrevivências e reproduções elas precisam diretamente dos recursos naturais como terra e água. E são esses recursos que infelizmente estão ameaçados pelo agronegócio, das plantações de eucaliptos aos grandes campos de soja com seus venenos prejudiciais para os povos tradicionais residentes nos povoados e para toda fauna e flora do Baixo Parnaíba. O bacuri como fruto especial das comunidades das chapadas é o cartão postal do território. Já atinge um valor significativo de sua polpa pelo fato de sua escassez, que por ventura essa é gerada pelo desaparecimento da árvore frutífera.
projeto de galinha caipira -, comunidade Santa Rosa - U.S
Além do bacuri das áreas altas e o pequi, os camponeses também tiram seus sustentos das regiões dos brejos como o buriti, juçara, najá, marajá e outros. A maioria das comunidades rurais no Baixo Parnaíba são localizadas nas beiras dos rios para facilitar a pesca e água para banhar e lavar. Mas as cabeceiras desses rios e riachos estão secando, vítimas diretas do impacto ecológico das monoculturas com seus meios de produção agressoras para o meio ambiente. Precisa-se de ações governamentais e das próprias populações para a MANUTENÇÃO DAS RESERVAS DE PRODUÇÃO ALTERNATIVA. As Reservas Extrativistas (Resex’s) são unidades importantes de conservação da biodiversidade pertencentes a um grupo de uso sustentável, ou seja, são espaços territoriais protegidos por lei. Elas têm como objetivos básicos e essenciais proteger os meios de vida e a cultura das populações tradicionais existentes nesses espaços, assegurando o uso sustentável dos recursos naturais dessas unidades, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de pequenos animais. Nossas chapadas e brejos transformadas em Reservas Ecológicas Extrativistas pode ser desenhada como um modelo crítico aos desmatamentos crescentes ocorridos em nossa Região, transformando as áreas de florestas, buritizeiros e chapadas ricas em campos de produção, contrapondo ao modelo capitalista de desenvolvimento predatório e concentrador de riquezas adotado pelo Brasil desde 1970.

babaçu - comunidade Santa Maria - U. S
A economia gerada numa Resex não pode ser vista como de grande escala, capaz de concorrer com o mercados adotados pelo capitalismo. As comunidades do Território do Baixo Parnaíba vem produzindo desde tempos bem remotos uma economia voltada à sustentabilidade das populações tradicionais aqui residentes, que, se bem organizada e trabalhada de forma coletiva, elas podem ter um cardápio de várias possibilidades que a floresta oferece como: polpa de bacuri, pequi, óleos, resinas medicinal, látex, sementes ceroulas e etc. Tudo isso trata-se de um berço de experiência na gestão cultural e ambiental não apenas no Baixo Parnaíba Maranhense, mas em todos os territórios do Maranhão e do país.


José Antonio Basto
Militante em Defesa dos Direitos Humanos e da Vida
e-mail: bastosandero65@gmail.com
(98) 98707-6807

 


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

1º SEMINÁRIO SOBRE ASSUNTOS FUNDIÁRIOS NA COMUNIDADE SÃO FELIX – Tema: Luta pela posse da terra, direitos humanos e questões socioambientais


organização dos trabalhos em grupo
A pedido da Associação dos Trabalhadores Rurais do Povoado São Felix, o STTR – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Urbano Santos-MA, realizou no dia 23/01/2016 - sábado, o I Seminário sobre assuntos fundiários na comunidade São Felix, tendo como tema “a luta pela posse da terra, direitos humanos e questões socioambientais”, com um trabalho coletivo envolvendo toda comunidade. Pois se encontra um processo de desapropriação de mais de 1.105 hectares de terra para fins de Reforma Agrária no INCRA. O processo está atrasado esperando uma resposta para a compra da terra pelo governo federal, mas um dos maiores problemas que vem assombrando os trabalhadores de lá é o impacto ecológico e social que o empreendimento da “energia eólica” poderá causar naquela comunidade. Os representantes do projeto capitalista já conversaram varias vezes com o Zé Orlando – presidente da associação, tentando convencê-lo para uma assinatura de contrato para que a rede do parque eólico passe por dentro da área da associação, o Zé Orlando não aceitou enquanto tudo fosse esclarecido.
apresentação dos trabalhos em grupo
Uma das coisas que gerou desconfiança por parte da comunidade é que os engenheiros que dizem serem de Minas Gerais, chegam com seus carrões, pedem sigilo e muito menos explicam o teor do projeto... só querem mesmo uma simples assinatura do Presidente da Associação para concessão de uso da área. Todos sabem que isso é de grande interesse da empresa. Os trabalhadores rurais com medo de tal coisa, solicitaram do sindicato um seminário, para acelerar a luta pela terra, atualizando os dados de conhecimentos dos mesmos a respeito da Reforma Agrária no Brasil e no Maranhão. Os trabalhos começaram as 09:00h da manhã, com uma mística de abertura ministrada pela Dona Noêmia – Presidente do STTR, em seguida o José Antonio Basto - educador popular e militante dos direitos humanos apresentou os assuntos sobre análise de conjuntura a respeito das áreas de conflitos no Baixo Parnaíba, em especial os impactos socioambientais no município de Urbano Santos -, com um método simples de diálogo com os participantes, os pontos foram frisados desde os primórdios em que as comunidades tradicionais sempre precisaram diretamente da terra para sobreviverem e reproduzir-se,  acabamos fazendo uma longa viagem pela história do Brasil, do Maranhão e do Baixo Parnaíba: da colônia aos dias de hoje. Os passos que são dados para a desapropriação de uma área de terra, como funciona, os projetos que serão adquiridos no futuro, os índices de violência no campo da década de 80 a atualidade e sobretudo a independência e liberdade desses povoados e suas formações históricas. Essa volta ao passado foi para que a comunidade entendesse o longo processo da luta dos trabalhadores rurais pela posse da terra nesse país.
apresentação dos trabalhos em grupo
Compreenderam que muitas coisas mudaram, o que importa agora é achar a melhor maneira de se organizar para a conquista de seus territórios livres onde seus pais moraram, viveram e deixaram para seus filhos e netos. José Antonio Basto usou um fragmento de um texto encontrado no site da CPT-Bahia, onde explica um pouco sobre os impactos sociais e socioambientais causados pela energia eólica nas comunidades tradicionais naquele estado, segue a nota: “Para Thomas Bauer, cientista e pesquisador, membro da Comissão Pastoral da Terra na Bahia (CPT-BA), os parques eólicos que ocupam imensas extensões territoriais causam grandes impactos socioambientais para as populações locais, na sua maioria comunidades tradicionais. “Além da volta da grilagem de terra, os contratos de arrendamento assinados são sigilosos, abusivos e totalmente favoráveis às empresas que na sua grande maioria nem sequer explicam o teor destes contratos e os camponeses/as são pressionados a assinar entre a casa e a porteira da roça, comprometendo toda a geração futura”, afirma Thomas. Daí os residentes no São Felix entenderam o teor desse processo devastador onde esta faixa pretende cortar a área em processo, causando sérios problemas às futuras gerações.
orientação dos trabalhos em grupo
Pela manhã foi mais essa conversar e troca de experiências e saberes, buscando alternativas para resolução, donde saiu um encaminhamento importante de uma reunião marcada com o INCRA, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, STTR, FETAEMA e lideranças do povoado, com o intuito de esclarecer a questão dessa terra e achar uma saída para o caso. O certo é que depois do seminário, a comunidade ficou consciente do problema e não querem de maneira alguma que a faixa corte sua área, prejudicando o meio ambiente (água e terra) e suas matas de onde fazem suas roças. Os moradores do São Felix estavam precisando de uma orientação, assim como muitas outras comunidades tradicionais de nossa região precisam, que diariamente são vítimas de tantos os desacatos e impactos ambientais, como por exemplo, o agronegócio. O seminário terminou com a apresentação dos trabalhos em grupos nas respostas das questões, a respeito do tema abordado, foi um evento proveitoso; voltamos para casa com mais um dever cumprido nesta nossa difícil e gratificante militância social.

José Antonio Basto
Militante em Defesa dos Direitos Humanos
e-mail: bastosandero65@gmail.com
(98) 98607-6807
Urbano Santos-MA, 25 de Janeiro de 2016

 

 

 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

PRODUÇÃO AGRÍCOLA DE ROÇAS DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS DO MUNICÍPIO DE URBANO SANTOS, BAIXO PARNAÍBA MARANHENSE


farinha de puba
limão e feijão
A agricultura familiar que recebe apenas 16% dos recursos federais anualmente por intermédio de um PRONAF ou outros sistemas de créditos consegue sustentar mais de 65% dos alimentos que vão para nossas mesas como: arroz, farinha, milho, frutas, verduras e vários outros produtos que a natureza oferece. O agronegócio (eucalipto e soja) que destrói e maltrata com seus modos de produção agressora venenosa ao meio ambiente e que não supre de maneira alguma as demandas das comunidades tradicionais... além de invadir as chapadas e matas destruindo as cabeceiras de rios e áreas agricultáveis, atrasa as lutas pela aquisição da terra na Reforma
abobora
Agrária, estes projetos capitalistas de monocultivos recebem anualmente mais de 80% dos recursos federais para se manter. Poderia ser ao contrário? Sim. Nosso município, no Território do Baixo Parnaíba Maranhense é grande produtor de farinha de mandioca e outros gêneros da agricultura, sendo reconhecido em todo Estado. Mas ainda precisamos avançar em algumas questões primordiais como a regularização e arrecadação das terras devolutas do estado, acelerar os processos fundiários no INCRA para fins de assentamentos, mapear as áreas de CRÉDITO FUNDIÁRIO e assistência técnica. Este ano, os camponeses estão recebendo do governo Estadual através da AGERP a distribuição democrática de sementes nos STTRs. Mas é importante que cada trabalhador (a) rural no final da safra deste ano, possa guardar suas sementes ceroulas (sementes tradicionais), pois essas sementes não são prejudiciais ao meio ambiente e não contem elementos químicos como essas que vem e passam por triagem e laboratórios. Os alimentos produzidos em nossas roças em manejos tradicionais e AGRO-ECOLÓGICOS são mais ricos em nutrientes e sabor, formando assim uma teia de agradecimentos e interatividade entre nossa saúde e o meio ambiente onde vivemos e dele dependemos sempre.
José Antonio Basto
- Educador Popular (Educação do Campo – STTR -Urbano Santos-MA)

 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Passagens pelas belas chapadas das comunidades Araras e Mosquito... rumo à Lagoa do Cassó na vista dos desacatos ambientais do eucalipto


Aquelas chapadas que limitam e estremam com as regiões dos campos arenosos, dunas e marajás, os caminhos clareavam a cada parada em casas de amigos - primeiramente no Povoado Araras – município de Urbano Santos; em seguida no Mosquito - município de Beláguas e uma breve conversa com velhos companheiros na comunidade Prata dos Basílios. Não foi por acaso, pois o destino seria a Lagoa do Cassó, mas por mera conscidencia do destino os caminhos ficaram complicados e a caminhonete acabara adentrando pelos campos de eucaliptos que beiravam as estradas. Os bacurizeiros abotoados floriam pelo cerrado marcando uma nova época de fartura –, eles ainda clamam por justiça: os campo de eucaliptos tomam conta da região, provando que o agronegócio ainda impera com seus modos de produção agressoras para as comunidades rurais. O cerrado de nossa região do Baixo Parnaíba tem suas várias diversificações; por um lado limita com as dunas, por outro com o Oceano Atlântico. Nossas chapadas pré-amazônicas são diferenciadas de todas as outras chapadas do Brasil, nas espécies vegetais e animai; muitos pássaros e outros tipos de animais silvestres só existem neste lugar inigualável, assim também como espécies vegetais nos pomares que alimentam homens e mulheres do sertão. Aqueles lugares dividiam-se em áreas bonitas de se ver, os capões de matos com seus frutos, as chapadas e arvores envergadas do outro lado dos monocultivos.    E então o carro passava com rapidez em direção ao ponto principal, o Cassó. Quando apareceram os primeiros sinais de vista daquela bela lagoa, um espanto – pela enorme diferença de há cinco anos atrás, o nível de água baixara tanto que até mesmo os moradores ainda não conseguiram entender. Os cajueiros que enfeitavam suas margens desapareceram, os buritizeiros secaram suas palhas e o junco que protegia desfarelou-se. Por quê? Entendemos que para essa lagoa manter sua forma natural é preciso o equilíbrio da chapada que protege as nascentes e círculos da água que passam por baixo do lençol freático, pois as cabeceiras se foram e estão sendo atingidas diretamente pelas plantações de eucalipto. A lagoa do Cassó fica no meio da chapada que por ventura sofre alterações em seu bioma, essa realidade é triste. Pois bem, o certo é que apesar de tudo, usufrui das águas frias naquela manhã nublada e tempo frio do dia 1º de janeiro de 2016, em meio às revoltas por tamanho desacato aos direitos ambientais. Na volta à tardinha, trilhava-se por outros caminhos aplainados da Suzano descendo pelas comunidades Mato Grande, Araras, Mendes e Joaninha até chegar na estrada que liga Urbano Santos à Barreirinhas. Por onde também se enxerga a grande devastação das chapadas pelos gaúchos para a plantação de soja. Aquelas chapadas estão lá precisando de proteção, a cada momento elas desaparecem de nosso mapa, seja pelo empreendimento do agronegócio, ou mesmo por outros motivos. As chapadas que chamam nossas chuvas imploram por justiça. Que possa valer nossos direitos por um ambiente saudável! Fiquemos cientes que neste andar da carruagem onde a cada dia se grita mas parece que ninguém ouve com a falta de água, em especial... talvez há alguns poucos dias pela frente não veremos mais o que ainda podemos ver hoje em dia”. Viva as chapadas com suas diversidades  e fatos que celebram a vida. Nossas vidas!

José Antonio Basto
Militante em Defesa dos Direitos Humanos e da Vida
e-mail: bastosandero65@gmail.com
(98) 98607-6807
Urbano Santos-MA, 04 de Janeiro de 2016