terça-feira, 14 de julho de 2015

A chapada ali e acolá no Bracinho





Chapada de Urbano Santos // imagem: Fórum Carajás
Avistava-se ela ali e acolá com seus bacurizeiros e pequizeiros tortos e resistentes ao sol escaldante; a caminhonete roncava rasgando as trilhas quase que fechadas pelas comunidades Bom Fim e Bebedouro. Infelizmente naquelas veredas a ótica batia também sobre a desgraça da monocultura com seus monstros verdes (eucaliptos) que nada trazem de bom para os camponeses. Aquele pedaço do Baixo Parnaíba relembrara a grande luta pela posse da terra que a gente do Bracinho travara contra a Suzano desde o início da questão. A peleja começava ainda em 2006 quando o Irmão Francisco e seus companheiros rondavam fiscalizando os variantes da chapada que desce até o brejal. Criava-se então ali a “Associação Comunitária Gabriel Alves de Araújo” para o fortalecimento e resistência. Os representantes da Suzano vendo o avanço e a força dos trabalhadores ainda tentaram enganá-los com 400... 600 hectares, nada de acordo feito. Em 2011 o conflito foi ao extremo, os camponeses de um lado e os capangas da empresa do outro, não houve negociações, pois os lavradores sabiam de seus méritos garantidos que as terras devolutas do estado na região do Bracinho eram suas por direitos de posse ancestral, já viviam dela há décadas e décadas. Foi, portanto formalizado em nome da associação um pedido de vistoria pelo ITERMA – a fim de resolver o problema. Quando os técnicos fizeram o trabalho de vistoria descobriu-se através do laudo que aquelas grandes faixas de terras que a Suzano pretendera tomar para si, principalmente as chapadas visadas para as plantações de eucaliptos, foram na verdade demarcadas e tituladas para fins de Reforma Agrária, a associação por fim recebeu em 2014 o tão esperado título de 3.390 hectares de terras, sendo este um dos maiores projetos de assentamentos do estado na região do Baixo Parnaíba, as mais de quarenta famílias tem agora um lugar sossegado para morar e trabalhar com seus futuros projetos e no tempo colher bacuris a vontade na chapada. A penúltima vez que estive no Bracinho foi com o pessoal do Fórum Carajás para celebrar com um almoço maravilhoso a vitória e o triunfo do título da terra. Ontem retornei mais uma vez desbravando todas aquelas belas chapadas floridas e limpas para mais uma reunião com os trabalhadores e trabalhadoras rurais. Durante a reunião eles relembraram os momentos difíceis que enfrentaram, até lágrimas caíram das faces das senhoras mais idosas que estiveram na linha de frente tentando barrar os tratores da empresa naquela época. Humildes de coração, não deixaram de acentuar com ênfase o grande apoio que os órgãos de defesa dos direitos humanos deram naquela peleja, como a Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos e o já citado Fórum Carajás - as reuniões debaixo do velho pé de mangueira onde se tratava dos assuntos da terra. Essa viagem de ontem, 12/07/2015 – foi bastante proveitosa, o almoço capão caipira, como sempre transferiu o sabor incomparável da culinária tradicional das comunidades, sabores de frutos das chapadas e da biodiversidade. Após o fim da reunião voltei pelos rastros em direção à comunidade Formiga pelo outro lado do Bebedouro. Os caminhos eram rudimentares até adentrar novamente pelas chapadas a fora, naqueles lugares onde o problema do agronegócio é tremendo, as chapadas e as populações vivem na resistência de suas vidas, os seres que habitam o espaço já não mais podem se esconder. Essa foi mais uma experiência dos trabalhos de militância em defesa dos direitos humanos e da vida. O quadro natural das chapadas no Baixo Parnaíba se formou há milhares de anos atrás com o poder divino e a força da natureza, hoje em dia vive ameaçado pela intolerância do setor capitalista que só pensa em lucros não respeitando o meio ambiente, a soberania e os direitos culturais e sociais das comunidades tradicionais.

José Antonio Basto
     13/07/2015
(98) 98890-4162

segunda-feira, 6 de julho de 2015

POVOADO SÃO RAIMUNDO: UM ESPELHO DE LUTAS PELOS DIREITOS HUMANOS


O dia pairava como uma túnica bege, a data era 04/07/2015. Aquela manhã nublada estava bonita de se ver, os ventos do leste já anunciavam as chuvas da tarde, mas mesmo assim a ideia seguiu avante de enfrentarmos mais de 42km de chão até o destino planejado. A viagem não foi muito confortável em cima da carroceria da caminhonete, pois o sol batia forte na pele, atravessavam-se lugarejos e assentamentos – lagoas e pontes rudimentares. Por fim cruzamos as colinas da Estiva da Mangabeira - já podia se avistar as mangueiras da Boa União ao lado do São Raimundo. E então após 12km, por fim adentramos na comunidade que fica na encosta do morro entre o brejal e a chapada. As crianças acenavam mostrando a humildade daquela gente, os olhos esperançosos de futuros guerreiros de combate pela preservação do meio ambiente e pela Reforma Agrária, meninos e meninas das chapadas que sabem manejar o extrativismo do bacuri.

A Francisca tinha marcado aquela reunião com antecedência por intermédio do STTR para explicação e tira-dúvidas do processo de recadastramento sindical dos moradores da comunidade. Não demorou muito para a população se reunir na sede da escola. Antes de começar, tomamos café com farinha d` água e peixe assado –, peixinhos do Rio Preguiças que passa no São Raimundo. Os peixes e camarões que serve também como fonte de sobrevivência da comunidade ainda são encontrados com fartura nessa época do ano, motivo esse comprovado pelo grau de consciência ecológica da comunidade na preservação dos igarapés, junqueiras e buritizeiros. As mulheres, muitas delas com seus bebes de colo, outras grávidas com seus barrigões, atentas nas palavras da Noemia – atual presidente do STTR, que falava do recadastramento (acordo firmado entre a CONTAG e o Governo Federal e também o apoio da causa na luta pela terra em processo de titulação). Quando me passaram a palavra fiz questão de acrescentar um pouco respeito do processo de recadastramento, mas não podia esquecer de relembrar em voz alta a BATALHA DO POVOADO SÃO RAIMUNDO NO QUE SE DIZ RESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS. Uma comunidade modelo que tomou consciência de lutar pela posse da terra, de proteger a chapada e toda biodiversidade, sendo este o espaço cultural de onde produz seus alimentos. A associação travou e continua travando diversas lutas contra os latifundiários e a Suzano, em quase todas as instancias os camponeses e camponesas tem vencido com o apoio dos companheiros e alguns órgãos de defesa que abraçaram esta causa nobre. Outras comunidades do Baixo Parnaíba Maranhense se espelham na garra que o São Raimundo tem de pensar diferente, em defender seus direitos sociais e sobretudo a vida. As chapadas do São Raimundo, Bom Princípio e Bracinho são as mais belas da região.

A reunião não durou muito tempo, mas o recado foi passado. Ficou na lembrança aquela atividade importante e as palavras de conforto e de incentivo para a luta em defesa dos direitos. Já era quase meio dia e tínhamos que fazer mais três reuniões, duas na Boa União e outra na Santa Filomena. Poderíamos ter almoçado no São Raimundo, nos avisaram que seria galinha caipira com arroz novo que a Francisca preparara, infelizmente não deu certo para almoçarmos lá. Voltamos para outros compromissos com saudade daquele povo, cortando velhos caminhos de pedras e barrocas com uma vista exuberante dos baixões e a mata que caia no horizonte sobre o canto dos pássaros jandaias.

José Antonio Basto
(98)98890-4162

 

 

 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

RIO MOCAMBO DE LUTAS GLORIOSAS!


Rio Mocambo // Bairro Bandeira - Urbano Santos-MA
O Rio Mocambo foi palco dos últimos combates da famosa Insurreição dos Balaios, Guerra da Balaiada (1838-1842). Segundo a história alguns insurretos fugindo das regiões das mangas sob a liderança do vaqueiro Raimundo Gomes um dos mais importantes chefes do movimento,  procuraram então refúgios seguros nas margens desse rio que recebera o nome de mocambo por razões das várias trincheiras encontradas em suas imediações, como por exemplo as das comunidades: Mocambinho, Porto Velho, Escuta e São José. Após o fim dos combates nasceu a Vila de Ponte Nova se auto-desenvolvendo por intermédio do comércio e do tráfego de mercadorias em mulas para as regiões praieiras. O Mocambo foi importante nesse processo econômico, pois naquela época era um rio por onde navegavam muitas embarcações transportando gêneros da agricultura urbano-santense como (farinha, arroz, milho, tapioca, rapadura, tiquira e cachaça), saindo da sede da cidade, passando pelo Rio Preto, caindo no Rio Munim e seguindo para Cachoeira Grande dando acesso até mesmo a capital São Luís. “Mocambo” é uma palavra de origem africana e significa “aldeamento ou esconderijo secreto – o mesmo que “Quilombo” –, lugares estes onde os refugiados se “amocambavam”. O Rio mocambo é um afluente do Rio Munim, a partir de sua cabeceira ele desce cortando os povoados: Estiva da Josefa, Bráz, Rumo, Vertente de Baixo, Siricora, Lázaro, Salomão e continua pela sede da cidade... bairro da Graça passando pelo Bairro Fazenda, seguindo em frente correndo por outros povoados: Porto Velho I e II, Escuta, Pequi, Olho D`água, São José e por fim desemboca no Rio Preto na comunidade Sapucaia. Hoje em dia nosso importante rio vem sofrendo com a poluição causada por grandes quantidades de lixo jogados em seu leito pela população. O Rio Mocambo inspirou o autor do nosso Hino Municipal, o Pe. José Antonio de Magalhães Monteiro, no trecho que diz “Rio Mocambo de lutas gloriosas/ Em que heróis desejaram a liberdade [...] / Tuas façanhas são vividas
no ideal da mocidade
”.” Já foi tema também de telas (pinturas) e poemas de filhos da terra. O Rio Mocambo é responsável em grande parte pela economia de nossa população. As novas gerações precisam conscientizar-se que o Rio Mocambo é fundamental para a sobrevivência de nossa gente no abastecimento de água e sobretudo nos antecedentes que ajudam a compor uma página importante da história do Maranhão.
 
Imagem e texto: José Antonio Basto
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 30 de junho de 2015

A DITADURA DA EXPROPRIAÇÃO DAS TERRAS RURAIS DO BAIXO PARNAÍBA



     
Segundo a Bíblia Sagrada a terra foi criada por Deus, mas ele não deixou nenhum atestado nomeando (A ou B) para ser dono dela... a natureza surgiu junto com sua formula natural. Nasceram os animais silvestres, as águas, os mares... em fim, tudo em 7 dias. Isso gerou dúvidas em um certo monarca do Sião, em dizer que Moisés foi um tolo nas afirmações do Gênesis que a terra foi preparada apenas em uma semana, o determinado rei chamado Mongkut defendeu em sua filosofia que o planeta passou milhares e milhares de anos para ser formado; duas versões existem até hoje: a criação e a evolução, cansamos de estudar essas coisas pelos bancos escolares mas continuamos em dúvida. Mas tudo bem, cada um com suas crenças filosóficas. Podemos talvez acreditar que no início os humanos já viviam sobre essa terra e tiravam dela o necessário para suas sobrevivências como comida e água. Depois de algum tempo o homem sofreu seu processo de modificação psicológica decidindo então que o espaço donde obtinha seu fundamental alimento, seria de sua propriedade... resolvendo-se tomar posse da terra. Foi daí que surgiu o atrasado grau de inconsciência, de intolerância... acreditando que a terra (um pedaço de chão)  a partir de então teria um dono, o próprio homem que a explorou e se explorou.

Na região do Baixo Parnaíba, leste do estado do Maranhão (um pedaço do mundo), área essa em quase toda sua estrutura coberta de Chapadões e Brejais – que concentra uma grande quantidade de nascentes e cabeceiras de rios, esse território livre foi invadido pelo programa agroexportador do eucalipto e soja. Boa parte dessas terras foram griladas favorecendo aos grupos empresariais representantes do capitalismo exacerbado – apoios políticos somaram-se a essas questões na época. Com suas forças capitais e econômicas destruíram o cerrado e quase toda biodiversidade, tanto a fauna quanto a flora. O Baixo Parnaíba foi primeiramente habitado pelos índios Tremembés, depois teve seu importante ciclo das fazendas de cana –de-açúcar, em seguida recebeu os retirantes do Piauí, Ceará e Pernambuco – ajudando a formar a cultura de nosso povo. Na década de 80 por exemplo, o território de intocáveis chapadas foi vítima da plantação destruidora do eucalipto da antiga empresa Florestal LTDA, gerando a partir de então um grande e infinito conflito agrário e sócio ambiental. Os camponeses reivindicavam as soberanias das posses das terras onde os mesmos exerciam suas atividades rurais e os campos de onde colhiam o bacuri. Os trabalhadores (as) rurais, baseando-se nas práticas da agricultura familiar como fonte de sobrevivência, tomaram consciência de que a luta pela terra, mesmo que poderia ser uma batalha cerrada, valeria a pena - após conseguir tão importante projeto seriam donos de seus próprios destinos. Aquelas terras eram das associações, mas por falta de interesse não foi possível realizar o que realmente queriam: uma reforma agrária massiva com gente e desenvolvimento sustentável.

A ditatura da expropriação das terras rurais do Baixo Parnaíba pelos setores do agronegócio é um problema social que maltrata tanto as comunidades rurais quanto as fontes naturais do bioma cerrado. A cada dia aparece caso de aviões pulverizadores que ateiam venenos tóxicos nos campos de eucaliptos, gerando doenças nas pessoas e nos animais que asseguram o equilíbrio do ambiente. As terras baixoparnaibenses são concentradas em uma linha de ponta econômica que não pensa em perder essa guerra de onde os trabalhadores rurais são vítimas desse impacto ecológico e social. Precisa-se de informações que a coisa não é bem assim... os camponeses são posseiros por tradição, os donos conhecedores da região do território que é livre desde séculos bem remotos de nossa história.

 
José Antonio Basto
Militante dos Direitos Humanos
bastosandero65@gmail.com
(98) 98890-4162

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A chapada que lia e escrevia com a pena sobre o vento


O vento passava pelos bacurizeiros e pequizeiros, com sua força balançava os galhos das pitombeiras e candeias. A areia espalhava-se com esse forte vento levando as formigas saubeiras que ali trabalhavam incansavelmente em suas tocas; naquele ato formavam-se palavras e frases conduzidas pelos braços das árvores, essas mãos traçavam histórias passadas, contos do presente e do futuro. Quando era dia a chapada falava sobre o grunhido das unhas-de-gato, cachorrinhos e juritis cantavam ao longe e quando era noite ela adormecia com as cantigas do caburés, tudo parado, só se ouvia o roncado das palmeiras e dos buritizeiros nos brejais.

Ela sabia de tantas coisas que jamais esquecera de cada detalhe em suas narrações. Dissertava linhas sobre sua formação natural na geografia donde estava localizada a região e o território, recordou de quando a fauna e a flora era tão diferente na época dos tremembés, sem disputas, sem jogo... sem destruição da biodiversidade... naquele período tinha muita água, lagoas e grotiões falavam das fortes chuvas e de outros fenômenos,  os dias e as noites mudaram velozmente, sendo que muitas coisas também seguiram um outro ciclo.  As páginas perderam suas cores e vulgarizaram-se, a tinta já não mais celebrava a aquarela da vida, em telas de cânticos e recantos. O pensamento parou e se esgotou porque não havia mais conteúdo para seguir avante. Mesmo assim ela não deixou de produzir sobre o chão, aperfeiçoou sua técnica e a arte natural de sua própria arte de criação divina.

Aquela chapada sonhou que certa vez as pessoas morreriam de fome e de sede, pois tudo que os humanos necessitam como fonte de alimentação e respiração seria em verdade fornecido por seu espaço natural: os pomares, as águas... a terra. A inconsciência dos homens é a grande e triste prova da destruição hedionda, hipócritas e sem noção dos fatos que assola o planeta. A chapada despertou deste sonho, ficou cabisbaixa e chorou lágrimas de sangue, um pranto desceu escorregando por sua sensível face que por ventura também alimentou as fontes, os capins e macambiras. Passou-se mil anos e tudo que escrevera foi revelado; os tempos mudaram de curso, a profecia se juntou com os fatos no início, meio e fim. Então os escritos na terra vêm sobrevivendo a passagem do tempo e a chapada continua lá lendo e escrevendo.
 
José Antonio Basto
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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Grito pela promoção da Agrobiodiversidade e Biossegurança nas Comunidades Rurais do Baixo Parnaíba Maranhense


Comunidade São Raimundo
        As mudanças sociais e ambientais na Região do Baixo Parnaíba Maranhense são do saber de todos que começou a partir do impacto causado pelo agronegócio do eucalipto e da soja. Nesse sentido as organizações sociais da sociedade civil organizada vêm clamando desde os seus surgimentos, por políticas de apoio às causas das reformas de base em especial a Reforma Agrária. Pensar em um modelo de desenvolvimento para as comunidades rurais de nossa região, temos que primeiro nos preocupar com as alternativas a respeito dos processos agrícolas e as tradições extrativistas das populações tradicionais, uma vez que todo esse leque de valores já vem sendo ameaçado.

desmatamento para o plantio de eucalipto
        Promover a Agrobiodiversidade no Baixo Parnaíba talvez não seja um bicho de sete cabeças, mas com toda certeza será uma questão de pura determinação contínua daqueles e daquelas que gritam pela concretização dos direitos humanos e da vida. Penso que para se criar um programa de conservação de manejos sustentáveis e alternativos não dependem só das lutas e protestos, mas também do interesse dos próprios governantes -, uma vez que as leis possam pelos seus gabinetes. Esse projeto deve em seus determinados objetivos tratar, sobretudo do respeito às áreas territoriais dos povos das chapadas, seus mapas de caça e pesca e práticas na agricultura familiar de subsistência com utilização das sementes crioulas e tradicionais – tratando assim do patrimônio florestal e faunístico da região, assegurando a reprodução dos sistemas de produção segundo as especificidades socioculturais no ecossistema. Para isso é preciso ainda se preocupar com a biossegurança das comunidades – revendo a lei da Biossegurança garantindo assim a produção e comercialização dos produtos da roça, combatendo os cultivos transgênicos e aplicação de venenos tóxicos nos campos das monoculturas de soja e eucalipto, um vez que todos esses desacatos ameaçam a vida e a soberania alimentar das comunidades, causando vários danos irreversíveis ecológicos e sociais.

família camponesa da comunidade Prata do Hilton - U. S
        Todo esse floreado é pra deixar bem claro sobre a problemática sustentada pelo capitalismo selvagem em sua ganancia por lucros e lucros, usando seu poderio econômico para adquirir mais terras deixando para traz um legado hediondo de crimes ecologicamente perigoso não apenas para os povoados, mas também para as populações que vivem nas cidades; sendo estas dependentes dos bens naturais das comunidades como produtos agrícolas e água. As nascentes dos rios baixo-parnaibense estão ameaçadas e muitas delas já desapareceram. O agronegócio toma conta de áreas incalculáveis, os camponeses na defesa dos seus direitos vão para o enfrentamento – é daí então que surge intensos conflitos agrários envolvendo famílias de trabalhadores rurais, proprietários e grupos empresariais. Cabe nessa proposta aos governantes e donos da lei, como os sistemas executivos, legislativos e judiciários e o Ministério Público estabelecer mecanismos para garantir a segurança das famílias atingidas em tais situações de violações dos direitos humanos.

        As chapadas merecem viver como viviam antes. Como é triste ver bacurizeiros e tantas outras espécies sendo derrubadas, virando carvão dando lugar para o plantio de eucaliptos e soja. A violência no campo do Baixo Parnaíba Maranhense é uma página quase esquecida pelos órgãos jurídicos de proteção a pessoa humana. Muitos casos de desrespeitos e impunidades são constatados no dia a dia de nosso povo.
lagoa da comunidade Santa Maria - U. S
A Reforma Agrária é a ponta marcial das reivindicações nas atividades dos movimentos sociais, acredita-se que através dela nas titulações e arrecadações fundiárias das terras doadas aos camponeses, melhorias virão sim, com certeza –, concretizando todo esse conjunto de privilégios; realizando então um sonho adormecido há tempos reivindicado sempre pelo movimento social.

José Antônio Basto
Militante em Defesa dos Direitos Humanos
email: bastosandero65@gmail.com

segunda-feira, 1 de junho de 2015

CARVOARIA DE EMPRESA EMPREITEIRA NAS IMEDIAÇÕES DA COMUNIDADE RURAL DE CENTRO SECO – URBANO SANTOS, BAIXO PARNAÍBA MARANHENSE

carvoaria - Pov. Centro Seco - U.S // imagem: J.A. Basto

As carvoarias são ameaças à vida, ao trabalho social, fauna e flora das comunidades rurais do Baixo Parnaíba Maranhense. O veneno da fumaça adentra mato a fora expulsando os animais silvestres que dependem diretamente das florestas e atingindo sobretudo a saúde das pessoas que moram nos povoados. Soma-se a problemática os vários casos de maltrato aos humildes trabalhadores rurais assalariados que operam o serviço braçal em atividades parecidas com trabalho escravo, os peões entram nos fornos de carvão ainda pisando em brasa sem proteções adequadas no ofício desumano, às vezes sem nenhuma orientação de técnicos de segurança, eles fazem a seu modo para sobreviver - se sobreviver por alguns tempos. As baterias de carvão espalhadas pelo Baixo Parnaíba – em especial no município de Urbano Santos não passam de desacato aos direitos humanos e da vida, nos Povoados de Urbano Santos: Jacú, Joaninha e Araras elas foram instaladas em plena chapada aberta, nessas áreas a natureza foi totalmente destruída pelos correntões que sem dó extraem violentamente as espécies do cerrado para serem transformadas em carvão vegetal: bacurizeiros, pequizeiros, candeias, babatimão, faveiras, guabiraba, janaguba, folha larga, pitomba de leite, mororó e muitos outros tipos raros das chapadas  viraram carvão. Depois disso os campos foram substituídos por mudas de eucaliptos gerando então um outro grande problema para a biodiversidade e para a vida social das comunidades. As chapadas do Baixo Parnaíba merecem mais respeito, mais atenção dos órgãos competentes e dos movimentos sociais que parecem adormecidos; saibam leitores que sem a natureza não podemos viver, sem o cerrado de pé não existe mais chuvas -, pois estamos vivendo essa experiência difícil, efeito natural causado pelo impacto ambiental. Leonardo Boff, teólogo e ecologista, pai da Teologia da Libertação alertou em seus escritos agora muito pouco tempo atrás sobre as relações climáticas dizendo que “A natureza limitada não aguenta um projeto de destruição ilimitado”. Estamos ainda no mês de maio, em pleno inverno mas as chuvas estão escassas e os rios a cada dia secando e expirando completamente como é o caso do Rio Boa Hora. Como vai ser daqui a 30 anos, como será a realidade vivida pelos nossos filhos e netos nesse tempo? Será que nessa época ainda existirá os poucos exemplos de reservas biológicas que restam, será que nesse tempo as pessoas ainda poderão tomar suco de bacuri? O capitalismo selvagem só visa lucros e lucros, não está nem aí com o futuro da humanidade, usufrui do poderio econômico e artes manhas políticas para assim atingir seus objetivos sem a mínima atenção para quem está sofrendo ou não com seu legado de destruição e violência. O território do Baixo Parnaíba, em nome de suas comunidades tradicionais, esperam um outro mundo possível com igualdade e solidariedade,  aguardamos isso com ansiedade que o sonho não possa ser utópico, ilusão... pois vivemos essa realidade na pele... no dia- a- dia e afirmamos que infelizmente as coisas a cada momento que passa vem ficando mais pior do que está. Abaixo o impacto ambiental e social e a violência no campo do Baixo Parnaíba. Essa causa não é uma questão só minha, nem sua, ela é de todos nós!

José Antonio Basto
militante dos direitos humanos
bastosandero65@gmail.com