segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O EXEMPLO DA COMUNIDADE SÃO RAIMUNDO EM DEFESA DA TERRA E DO MEIO AMBIENTE.

José Antonio Basto - (Comunidade São Raimundo).
Coletávamos as assinaturas para o Projeto de Lei de iniciativa Popular que proíbe a plantação de monoculturas agressivas ao meio ambiente e o uso de transgenia nas práticas agrícolas no município de Urbano Santos-MA. O distante São Raimundo, no meio do Baixo Parnaíba, abraçou esta justa causa; como não abraçaria? São Raimundo é uma grande referencia na defesa da terra e do meio ambiente. Suas casas ficam localizadas entre a chapada e o Rio Preguiças, sua economia é baseada no extrativismo da polpa do bacuri e buriti, criação de animais e projetos sustentáveis apoiados por instituições como o Fórum Carajás. Luta há muitos anos pela posse da terra – um projeto que tramita no INCRA esperando respostas. Seu povo humilde e hospitaleiro tem o senso de liberdade e perseverança, trabalham na coletividade para o bem comum, pescam caçam, colhem seus frutos que a chapada oferece. Os entraves enfrentados pela comunidade São Raimundo são os mesmos problemas fundiários e socioambientais de muitas outras comunidades espalhadas pela região, vítimas do impacto ambiental e ameaçadas pelo programa capitalista do agronegócio.
Reunião com membros da associação e diretores do STTR
Comunidades essas esquecidas, isoladas, mas livres! Elas se desenvolveram através da formação social de indivíduos de lugares diferenciados, primeiro os índios Tremembés, depois os quilombolas e caboclos e mais tarde já no início do século XX os retirantes do Piauí e Ceará. As pessoas procuram lugares nas margens dos rios, como as populações ribeirinhas do Rio Preguiças. Comunidades acostumadas com a fartura de água e outros recursos naturais, os povos dos brejos e chapadas criaram um vínculo com a natureza, passaram a lhe proteger e tirar da terra o sustento necessário. Seus habitantes já sentem na pele as dificuldades de se adquirir terras, água para beber, caça para o alimento e frutos dos brejais e chapadas. São vários desacatos aos direitos humanos e à vida. As comunidades tradicionais são protegidas por lei e merecem respeito. Elas não precisam da ganancia que o agronegócio tem, precisam apenas viver bem, comer bem, respirar bem. É daí que parte o orgulho de escrever essas simples palavras dedicadas à comunidade São Raimundo como exemplo; muitos já foram os artigos publicados. Conscientes de um mundo melhor para todos e todas, a coletividade da Associação Comunitária de São Raimundo tem alcançado êxito com a luta do povo.  Gente honesta que vem superando desafios internos e contra latifundiários, contra a pobreza que lhes assolam. São Raimundo sempre batalhou e através de formações e encontros descobriram que são importantes numa região de conflitos agrários, arena de batalhas e palco de lutas desde tempos remotos. Um pedaço de chão regado com suor de companheiros e companheiras de combate, uma terra que quem a conhece não esquece jamais.

José Antonio Basto
e-mail: bastosandero65@gmail.com

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