José Antonio Basto
Comunicação: STTR de Urbano Santos-MA.
Março - 2021.
# PROSA POÉTICA SOCIOAMBIENTAL, ENSAIOS, QUESTÕES AGRÁRIAS NA REGIÃO DO BAIXO PARNAÍBA MARANHENSE E DIREITOS HUMANOS.
José Antonio Basto
Comunicação: STTR de Urbano Santos-MA.
Março - 2021.
Sem vocês seria impossível a reprodução de nossa espécie natural,
Sem vocês seria impossível a genealogia dos povos da “humana – idade”
E nossas características específicas da natureza humana,
Sem vocês mulheres, o mundo não teria amor... nem paz...
Pois o grande exemplo é que Adão precisou de Eva para ser completo
Lampião de Maria Bonita,
Camões de Dinamene
Romeu de Julieta
E Castro Alves de Eugênia para serem poetas...
E muitos outros da história perdida das civilizações,
Saudações às mulheres que escreveram seus nomes na história
Nas várias revoluções pelo mundo a fora,
Saudações às operárias que tombaram em Nova Iorque em março de 1857,
É de lá que celebra-se esse dia tão importante, que não é apenas um dia só de festa, mas de luta e recordações do que perderam e do que ganharam
E ganharão, com otimismo,
Saudações à Joana D`Arc, à Eleniza Resente do Araguaia, à Dandara esposa de Zumbi dos Palmares, à Maria Aragão, à Clarice Lispector!
Saudações à escrava Anastácia
Saudações à Anita Garibaldi e à Olga Benário!
Saudações às primeiras mulheres que votaram em 1932!
Saudações à Elizabeth Teixeira das Ligas Camponesas!
E a Margarida Alves da Paraíba
Saudações às companheiras
guerrilheiras de todos os tempos!
As que alcançaram o trunfo da glória e também as que tombaram!
Saudação especial à Presidenta Dilma Rousseff!
Sigam em frente na luta por direitos humanos, assim que com muitas batalhas conquistaram e haverão de conquistar sempre!
Salve todas as profissionais, todas as mulheres de todas as classes e categorias: sindicalistas, domésticas, lavadeiras de roupas, advogadas, juristas, motoristas, promotoras, operárias, costureiras, professoras, marisqueiras, quebradeiras de côco, médicas, vereadoras, prefeitas, autoridades...
Salve as mulheres negras, brancas e indígenas!
Um Salve às mulheres Americanas, Latinas-Americanas, Européias, Asiáticas, Africanas –
Salve a elas de todos os continentes!
Salve aquela da mais alta em seus postos à mais simples e humilde em seus importantes e respeitados afazeres,
Um grande abraço à todas as mulheres de minha cidade Urbano Santos, do Brasil e do mundo
Recebam com carinho a lira nos versos escritos do modesto autor!
Avante sempre por um OUTRO MUNDO POSSÍVEL!
Parabéns à todas as mulheres!
‘
Autor: José Antonio Basto
08 de março
Em homenagem ao dia internacional da mulher
O Viajante acordara de um longo e
cansativo sono existencial. Ele vinha das das bandas das terras dos campos
arenosos de Humberto de Campos por aquelas estradas cheias de lagoas. Saia de
Santo Amaro e Primeira Cruz - pela zona rural, lembrando os antigos caixeiros
nordestinos dos tempos passados. Praticara o caminho pela "Lagoa do
Casso", por ser um final de semana, tinha uma grande aglomeração de
banhistas naquele importante ponto turístico. Caminhava com seu "alforje
de caçador" -, um surrão de pano com livros e outros papéis - documentos
bem antigos; tinha também alimentos para as horas difíceis; parava de povoado
em povoado para pedir um copo de água e as vezes um punhado de farinha, nada
foi lhe negado pelos camponeses que ouviram falar de suas aventuras. Por causa
da "Pandemia", seguiu caminho afora pela Comunidade Vertente de
Baixo. Chegara na sede da cidade e procurava o Mercado Central de Urbano
Santos, mais conhecido como Centro de Abastecimento de Alimentos. Ele
conversava com amigos companheiros - estes, porventura moradores da Vertente,
antes passara em "Mocambinho dos Balaios" e Vertente de Cima -, sendo
estas, duas áreas de terra com o mesmo nome e reconhecimento. O Estado ainda
deve demarcar estas terras, assim favorecendo os moradores com seus títulos de
posseiros e arrecadações sumárias. Uma família tradicional de posseiros
mantiveram o direito de propriedade com o documento do Título Comunitário,
reconhecido pelo ITERMA e órgãos fundiários de outrora. Vertente de Baixo e
Vertente de Cima São dois povoados em um só, de uma mesma família de posseiros
tradicionais. A faixa de terra pega uma grande área de chapadas, carrascos e
matas por onde desce o Rio Mucambo com seus riachos e afluentes. Vertente
possivelmente fora um quilombo no passado, pelos vestígios e modos de vida dos
moradores. A conversa fluía num boteco que fica em um dos bosques dentro do
mercado, cujo dono do ambiente era um velho morador de Vertente de Cima. Ele
disse que constantemente assina "Declaração de Proprietário" - para o
reconhecimento do exercício de atividade rural daquela gente que as vezes
precisam para requerimentos de benefícios previdenciários. Um momento a parte,
modesto... quando se trata de benefícios da Previdência Social, principalmente
neste momento conturbado da história do país e da perdas de direitos. O
Viajante passeava pelas bancas do mercado por gostar de feira e do cheiro de
peixe seco; conversava com cada um dos feirantes, mototaxistas, peixeiros e
outros trabalhadores. Percebera de tudo, o que estava sendo comercializado ali,
produtos da terra e regionais: mel de abelha, tiquira, cachaça, coco babaçu e
da praia, camarão, farinha seca e de puba, grolado, azeite, macaxeira, juçara,
galinha caipira, leitões, carne de bode e até uma banca de "livretos de
cordel". A movimentação na feira de Urbano Santos é grande, em especial
aos "dias de quinta", o povo acostumou fazer suas compras
especificamente neste dia. A cada momento o Viajante falava com um conhecido,
pegava na mão de um amigo, tocava no ombro de outro - cumprimentava-os com
respeito e grande dedicação e, quase sempre as mesmas perguntas eram lhes
dirigidas: "Por onde andara todo esse tempo, pelas matas e povoados?"
Um peregrino aventureiro, desbravador do sertão e de lugarejos, fazedor de amizade
com todo mundo. O Viajante demorou na cidade, quase o dia todo e ao se
aproximar a noite partira na sua missão rumo às fronteiras do "Rio dos
Pretos". De fato cumprira ali, por mera conscidencia do destino mais uma
vez seu simples ofício e papel de repórter que tende registrar com palavras
escritas as coisas simples da vida, sempre com humildade e respeito.
José Antonio Basto
julho - 2020
Respeito é algo extraordinário
Quando se tem se respeita
Quando se faz, se sujeita
Além do imaginário.
Respira-se no respeito
Quando se tem humildade
Na prática do dia a dia
Na fala da sinceridade.
Respeitar os atos dos outros
Em qualquer ocasião...
Podendo até não gostar
De qualquer que for a ação.
Até nas guerras se respeita
O lado do inimigo...
Quando é pego prisioneiro
Encurralado em perigo.
Nas guerras se travam batalhas
Mas também se descansa
Apesar do sangue e pólvora,
Apesar do fogo e a lança.
O animal silvestre respeita
E pode se comunicar
Além disso dá lições
Ao que sabe raciocinar.
Respeito é essencial
Quando porém não se engana
Respeito é a maior virtude
Dessa triste raça humana.
José Antonio Basto
Era cedo,
mais ou menos seis horas de uma manhã de domingo. O Viajante partia para as
bandas do norte desse grande Baixo Parnaíba. Ele saia da cidade de Urbano
Santos, onde se encontrava hospedado. Certa vez quando esteve em reunião
com os camponeses do Povoado "Capão" - pra falar de reforma agrária e
questões ambientais, acontece que a família trabalhadora rural a qual ele
ficara na casa, lhe prometera um "capão caipira" (galinha caipira).
Aquela promessa não saiu da cabeça do Viajante, inundava o pensamento. A
motocicleta adentrava as estradas de Lagoinha - atravessando chapadas e
carrascos. Parava-se aqui e acolá para um gole de água de cabaça. Descia num
vilarejo bem afastado da civilização às margens da cabeceira do rio boa hora,
era o Povoado Riachinho, vizinho do Capão. Uma comunidade quilombola que se
formou há muito tempo, poucos sabem que Riachinho é quilombola, nem mesmo seus
moradores sabem da história, porque não preservam a história oral contada pelos
mais velhos, pois muitos já partiram. A maioria daqueles trabalhadores também
não sabem ler, nem mesmo os jovens, porque vivem isolados... Um modo de vida?
Sim. Respeitável. Ali tinha uma ponte de madeira que ligava o Riachinho ao
Povoado Surrão, por onde a estrada era melhor de chegar ao Capão. Então o
Viajante praticou essa estrada pelas Cajazeiras, São Cosme até chegar ao ponto
final. O sol já estava alto... Era tempo de bacuri, ainda ao entrar no vilarejo
ouvia-se a zoada da quebra de bacuri e o cheiro das paneladas de pequi.
As famílias estavam reunidas numa casa de forno, batendo papo, quebrando
bacuri... Enquanto algumas mulheres se ocupavam fazendo beijú de tapioca com
coco babaçú. A animação era grande, vários assuntos surgiam: pescaria, roças,
vaqueiros, criações, preços altos de mercadorias nos tempos de Pandemia do
Coronavirus... Em fim... Era um domingo de lazer aos seus modos. Quando o
Viajante chegava e desmontava da moto com sua bolsa e jaqueta do exército
nacional, algumas crianças foram até ele, puxavam sua jaqueta e metia as mãos
nos bolsos pra ver se conseguiam algumas balas. Ele foi até uma budega,
(pequeno estabelecimento comercial) e comprou balinhas para a meninada. Ainda
pretendia voltar cedo para casa, mas uma missão de informar e se informar sobre
as questões agrárias da terra lhe prendia a atenção. Os recantos e tradições da
arquitetura das casinhas de taipa e cobertas de palha do Povoado Capão lembra os
quilombos. Talvez lá seja realmente uma comunidade quilombola. Pela localização
do vilarejo ao pé da chapada e de difícil acesso. O Viajante passara lá há
algum tempo atrás e um dos amigos moradores lhe prometera este capão criado no
povoado capão. Um projeto de manejo de criação de frangos caipiras foi o fio
que ligou esta amizade entre o escritor /desbravador e aquela família camponesa.
José
Antonio Basto
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| campo de soja em Anapurus-MA |
Ali vivia uma chapada, ali
moravam animais e corria uma cabeceira de rio, aquele campo de soja no leste
maranhense seria uma prova concreta do projeto devastador e selvagem do
agronegócio na região do Baixo Parnaíba. A soja implantada nos municípios de
Anapurus e Brejo tem suas demarcações e fronteiras, os gaúchos vieram de longe,
do sul do país arrasando terras alheias pertencentes aos povos tradicionais. Dirigíame-me
à Audiência Pública no Seminário Santo Antônio em Brejo, as comunidades
tradicionais foram articuladas pela Diocese, elas falariam sobre velhos
problemas fundiários e socioambientais aos representantes das secretarias de estado.
A vista dava da janela da caminhonete, carretas enfileiradas carregadas de soja
produzida em nosso chão, o cerrado perdeu sua força, ali estar um território
secular que hoje clama por justiça social, por causa das fronteiras agrícolas. Os
tremembés passaram por ali, os balaios e mais tarde os retirantes vindos do
Piauí. Os camponeses criaram vínculos com o meio em que viviam, colhiam frutos,
tiravam madeira... reproduziam-se na permanência das áreas agricultáveis. A
soja plantada nos municípios de Anapurus e Brejo é exportada atendendo demandas
de consumo de outros países, ela se desenvolve através de produtos químicos. Enfraquecida,
a terra se tornou uma colônia que enriquece metrópoles e interesses pessoais
dos sojicultores. As famílias de camponeses que moram nos arredores dos campos
sofrem com doenças causadas pelo agrotóxico, eles perderam suas áreas de caça,
pesca e extrativismo. A monocultura da soja vem agravando os modos de vida
simples desses lavradores. Um cientista e pesquisador certa vez disse que “o
agronegócio da soja vem acabando com o cerrado, sem saber o valor de sua
biodiversidade, infelizmente este foi um dos grandes crimes dos últimos vinte
anos praticado contra o sertão”. A soja na região do Baixo Parnaíba maranhense
visa somente o ganho imediato do capital econômico daqueles gaúchos, sem
qualquer análise da importância dessas áreas de chapadas e florestas que estão
sendo perdidas e desaparecendo do mapa territorial.
José Antonio Basto
Pensava-se
num trabalho, um tão quanto pouco literário –, quase crítico, mas não tanto assim.
O “Programa Jovem Saber” da Contag e Fetaema – em parceria com os STTRs,
convidara-nos para uma pequena pesquisa na casa de um morador do “P.A – Projeto
de Assentamento do Povoado Estiva da Mangabeira”, em Urbano Santos, Baixo Parnaíba
maranhense. Friviar por aquelas bandas é relembrar o passado histórico do
processo de dominação das terras de famílias influentes que detinham do poder
cartorial e da estrutura agrária herdada pelos portugueses desde o império do
Brasil - para suas elevações econômicas. Pois terra sempre foi sinônimo de
capital e poder. Isso é fato.
A família mora e produz na terra:
pimenta malagueta, coco da praia, farinha de puba e criam pequenos animais para
a alimentação. Sobre as laterais da casa tem um grande morro com árvores
preservadas, além de um riacho de águas claras que passa na frente da moradia.
O trabalho foi concluído até meio dia. Será editado e enviado para a coordenação
da Fetaema e em seguida para a Contag para avaliação. Foi muito válido o
aprendizado para conhecer mais de perto a realidade da historia do
assentamento. Página essa que as vezes, ou talvez, a maioria dos moradores não
conhecem. Voltamos pela mesma trilha com mais uma das tantas tarefas cumpridas.
dezembro - 2020