quinta-feira, 18 de março de 2021

Francisca do São Raimundo: mulher camponesa, militante social, agora Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores (as) Familiares de Urbano Santos-MA.

 

    

Francisca


Uma jovem que primeiramente foi militante das CEBs, mais tarde líder de igreja e Associação Comunitária, depois militante dos Direitos Humanos, hoje presidente eleita do STTR, uma das maiores entidades sociais de Urbano Santos-MA. Francisca do São Raimundo é uma mulher simples, guerreira, agricultura, extrativista e militante dos Direitos Humanos. A luta estar em seu sangue e vem desde sua infância como jovem quebradeira de côco para o sustento da família, como extrativista e defensora do meio ambiente em sua comunidade, como líder da Associação dos Trabalhadores Rurais do Povoado São Raimundo em defesa das chapadas, da terra... da Reforma Agrária, como participante do Fórum em Defesa do Baixo Parnaíba, da Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos - SMDH e do Fórum Carajás.  Filha de Dona Mariota e Seu José - camponeses autênticos criadores de galinhas, mãe de família... A menina Francisca começara sua história como militante social na região do Baixo Parnaíba nos velhos encontros de comunidades da região, participando ativamente e incansavelmente. Lembramos que no Encontro de Comunidades do Baixo Parnaíba de 2006, Francisca esteve lá, este encontro foi um dos mais importantes eventos; realizado na Comunidade Quilombola de Bom Sucesso dos Pretos - Mata Roma-MA. Francisca esteve também em tantos outros "Encontros no Baixo Parnaíba-MA" e em outras caravanas e marchas de trabalhadores rurais. E também no  Encontro de Militantes em Defesa da Vida em Porto Alegre - RS, sendo desta vez, convidada para participar de uma experiência em Moçambique / África, mas não foi possível a viagem, por motivos de forças maiores. Francisca do São Raimundo, "aluna rebelde das trincheiras em defesa da terra" - foi eleita a terceira mulher Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agriculturas Familiares de Urbano Santos na eleição sindical do dia 07/03/2021, com um número significativo de votos -, dos 1050 eleitores (as)  listados (as) nos cadernos de votação, ela teve a maioria de 543 votos válidos depositados em sua pessoa. Sendo a sucessora natural da atual presidente do órgão - Maria Noemia Silva de Sousa, que também desenvolveu um grandioso trabalho durante sua gestão, na base e nos serviços sociais internos do Sindicato, ficando portanto um legado ímpar do trabalho coletivo. Com o empenho dos companheiros e companheiras, apoiadores e apoiadoras, pelo serviço prestado da atual diretoria, recebeu  como reconhecimento a maioria dos votos dos associados aptos a votarem e também dos aposentados e pensionistas contribuintes da casa. Sua pasta que ainda representa, antes da posse, marcada para o início de abril é, a Secretaria de Finanças, Formação e Organização Sindical, onde com toda dedicação de quatro anos, prestou relevante trabalho para o desenvolvimento do Sindicato, juntamente com a Presidente Maria Noemia e toda equipe da atual  diretoria e conselho deliberativo. Como Presidente, pretende desenvolver a Agricultura Familiar, reorganizar as delegacias sindicais, trazer projetos para os homens e mulheres do campo através de parcerias, inclusive com a "Secretaria de Agricultura do Município". Começa agora um árduo trabalho para avançar cada vez mais durante os próximos quatro anos de muito trabalho. Deseja-se sucesso e êxitos, apostando no potencial de luta dessa nova administração Sindical que segue seu curso rumo às boas vitórias e conquistas. Sua palavra é gratidão aos que acreditaram em sua luta e história de vida.

José Antonio Basto

Comunicação: STTR de Urbano Santos-MA.
Março - 2021.

segunda-feira, 8 de março de 2021

MULHER: ESSÊNCIA DA VIDA HUMANA


Mulher, essência da vida humana,

Sem vocês seria impossível a reprodução de nossa espécie natural,

Sem vocês seria impossível a genealogia dos povos da “humana – idade”

E nossas características específicas da natureza humana,

Sem vocês mulheres, o mundo não teria amor... nem paz...

Pois o grande exemplo é que Adão precisou de Eva para ser completo

Lampião de Maria Bonita,

Camões de Dinamene

Romeu de Julieta

E Castro Alves de Eugênia para serem poetas...

E muitos outros da história perdida das civilizações,

Saudações às mulheres que escreveram seus nomes na história

Nas várias revoluções pelo mundo a fora,

Saudações às operárias que tombaram em Nova Iorque em março de 1857,

É de lá que celebra-se esse dia tão importante, que não é apenas um dia só de festa, mas de luta e recordações do que perderam e do que ganharam

E ganharão, com otimismo,

Saudações à Joana D`Arc, à Eleniza Resente do Araguaia, à Dandara esposa de Zumbi dos Palmares, à Maria Aragão, à Clarice Lispector! 

Saudações à escrava Anastácia

Saudações à Anita Garibaldi e à Olga Benário!

Saudações às primeiras mulheres que votaram em 1932!

Saudações à Elizabeth Teixeira das Ligas Camponesas!

E a Margarida Alves da Paraíba

Saudações às companheiras

 guerrilheiras de todos os tempos!

As que alcançaram o trunfo da glória e também as que tombaram!

Saudação especial à Presidenta Dilma Rousseff!

Sigam em frente na luta por direitos humanos, assim que com muitas batalhas conquistaram e haverão de conquistar sempre!

Salve todas as profissionais, todas as mulheres de todas as classes e categorias: sindicalistas, domésticas, lavadeiras de roupas, advogadas, juristas, motoristas, promotoras, operárias, costureiras, professoras, marisqueiras, quebradeiras de côco, médicas, vereadoras, prefeitas, autoridades...

Salve as mulheres negras, brancas e indígenas!

Um Salve às mulheres Americanas, Latinas-Americanas, Européias, Asiáticas, Africanas –

Salve a elas de todos os continentes!

Salve aquela da mais alta em seus postos à mais simples e humilde em seus importantes e respeitados afazeres,

Um grande abraço à todas as mulheres de minha cidade Urbano Santos, do Brasil e do mundo

Recebam com carinho a lira nos versos escritos do modesto autor!

Avante sempre por um OUTRO MUNDO POSSÍVEL!

Parabéns à todas as mulheres!

‘

Autor: José Antonio Basto

08 de março

Em homenagem ao dia internacional da mulher

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

PASSAGEM DO VIAJANTE PELA SEDE DA CIDADE DE URBANO SANTOS PARA UM DEDO DE PROSA COM OS AMIGOS

O Viajante acordara de um longo e cansativo sono existencial. Ele vinha das das bandas das terras dos campos arenosos de Humberto de Campos por aquelas estradas cheias de lagoas. Saia de Santo Amaro e Primeira Cruz - pela zona rural, lembrando os antigos caixeiros nordestinos dos tempos passados. Praticara o caminho pela "Lagoa do Casso", por ser um final de semana, tinha uma grande aglomeração de banhistas naquele importante ponto turístico. Caminhava com seu "alforje de caçador" -, um surrão de pano com livros e outros papéis - documentos bem antigos; tinha também alimentos para as horas difíceis; parava de povoado em povoado para pedir um copo de água e as vezes um punhado de farinha, nada foi lhe negado pelos camponeses que ouviram falar de suas aventuras. Por causa da "Pandemia", seguiu caminho afora pela Comunidade Vertente de Baixo. Chegara na sede da cidade e procurava o Mercado Central de Urbano Santos, mais conhecido como Centro de Abastecimento de Alimentos. Ele conversava com amigos companheiros - estes, porventura moradores da Vertente, antes passara em "Mocambinho dos Balaios" e Vertente de Cima -, sendo estas, duas áreas de terra com o mesmo nome e reconhecimento. O Estado ainda deve demarcar estas terras, assim favorecendo os moradores com seus títulos de posseiros e arrecadações sumárias. Uma família tradicional de posseiros mantiveram o direito de propriedade com o documento do Título Comunitário, reconhecido pelo ITERMA e órgãos fundiários de outrora. Vertente de Baixo e Vertente de Cima São dois povoados em um só, de uma mesma família de posseiros tradicionais. A faixa de terra pega uma grande área de chapadas, carrascos e matas por onde desce o Rio Mucambo com seus riachos e afluentes. Vertente possivelmente fora um quilombo no passado, pelos vestígios e modos de vida dos moradores. A conversa fluía num boteco que fica em um dos bosques dentro do mercado, cujo dono do ambiente era um velho morador de Vertente de Cima. Ele disse que constantemente assina "Declaração de Proprietário" - para o reconhecimento do exercício de atividade rural daquela gente que as vezes precisam para requerimentos de benefícios previdenciários. Um momento a parte, modesto... quando se trata de benefícios da Previdência Social, principalmente neste momento conturbado da história do país e da perdas de direitos. O Viajante passeava pelas bancas do mercado por gostar de feira e do cheiro de peixe seco; conversava com cada um dos feirantes, mototaxistas, peixeiros e outros trabalhadores. Percebera de tudo, o que estava sendo comercializado ali, produtos da terra e regionais: mel de abelha, tiquira, cachaça, coco babaçu e da praia, camarão, farinha seca e de puba, grolado, azeite, macaxeira, juçara, galinha caipira, leitões, carne de bode e até uma banca de "livretos de cordel". A movimentação na feira de Urbano Santos é grande, em especial aos "dias de quinta", o povo acostumou fazer suas compras especificamente neste dia. A cada momento o Viajante falava com um conhecido, pegava na mão de um amigo, tocava no ombro de outro - cumprimentava-os com respeito e grande dedicação e, quase sempre as mesmas perguntas eram lhes dirigidas: "Por onde andara todo esse tempo, pelas matas e povoados?" Um peregrino aventureiro, desbravador do sertão e de lugarejos, fazedor de amizade com todo mundo. O Viajante demorou na cidade, quase o dia todo e ao se aproximar a noite partira na sua missão rumo às fronteiras do "Rio dos Pretos". De fato cumprira ali, por mera conscidencia do destino mais uma vez seu simples ofício e papel de repórter que tende registrar com palavras escritas as coisas simples da vida, sempre com humildade e respeito. 

 

José Antonio Basto

julho - 2020

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Respeito

Respeito é algo extraordinário

Quando se tem se respeita

Quando se faz, se sujeita

Além do imaginário. 


Respira-se no respeito

Quando se tem humildade

Na prática do dia a dia

Na fala da sinceridade.


Respeitar os atos dos outros 

Em qualquer ocasião...

Podendo até não gostar

De qualquer que for a ação.


Até nas guerras se respeita

O lado do inimigo...

Quando é pego prisioneiro

Encurralado em perigo.


Nas guerras se travam batalhas

Mas também se descansa

Apesar do sangue e pólvora, 

Apesar do fogo e a lança.


O animal silvestre respeita

E pode se comunicar

Além disso dá lições 

Ao que sabe raciocinar.


Respeito é essencial 

Quando porém não se engana

Respeito é a maior virtude 

Dessa triste raça humana. 


José Antonio Basto

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O capão do capão

 


Era cedo, mais ou menos seis horas de uma manhã de domingo. O Viajante partia para as bandas do norte desse grande Baixo Parnaíba. Ele saia da cidade de Urbano Santos, onde se encontrava hospedado. Certa vez quando esteve  em reunião com os camponeses do Povoado "Capão" - pra falar de reforma agrária e questões ambientais, acontece que a família trabalhadora rural a qual ele ficara na casa, lhe prometera um "capão caipira" (galinha caipira). Aquela promessa não saiu da cabeça do Viajante, inundava o pensamento. A motocicleta adentrava as estradas de Lagoinha - atravessando chapadas e carrascos. Parava-se aqui e acolá para um gole de água de cabaça. Descia num vilarejo bem afastado da civilização às margens da cabeceira do rio boa hora, era o Povoado Riachinho, vizinho do Capão. Uma comunidade quilombola que se formou há muito tempo, poucos sabem que Riachinho é quilombola, nem mesmo seus moradores sabem da história, porque não preservam a história oral contada pelos mais velhos, pois muitos já partiram. A maioria daqueles trabalhadores também não sabem ler, nem mesmo os jovens, porque vivem isolados... Um modo de vida? Sim. Respeitável. Ali tinha uma ponte de madeira que ligava o Riachinho ao Povoado Surrão, por onde a estrada era melhor de chegar ao  Capão. Então o Viajante praticou essa estrada pelas Cajazeiras, São Cosme até chegar ao ponto final. O sol já estava alto... Era tempo de bacuri, ainda ao entrar no vilarejo ouvia-se a zoada  da quebra de bacuri e o cheiro das paneladas de pequi. As famílias estavam reunidas numa casa de forno, batendo papo, quebrando bacuri... Enquanto algumas mulheres se ocupavam fazendo beijú de tapioca com coco babaçú. A animação era grande, vários assuntos surgiam: pescaria, roças, vaqueiros, criações, preços altos de mercadorias nos tempos de Pandemia do Coronavirus... Em fim... Era um domingo de lazer aos seus modos. Quando o Viajante chegava e desmontava da moto com sua bolsa e jaqueta do exército nacional, algumas crianças foram até ele, puxavam sua jaqueta e metia as mãos nos bolsos pra ver se conseguiam algumas balas. Ele foi até uma budega, (pequeno estabelecimento comercial) e comprou balinhas para a meninada. Ainda pretendia voltar cedo para casa, mas uma missão de informar e se informar sobre as questões agrárias da terra lhe prendia a atenção. Os recantos e tradições da arquitetura das casinhas de taipa e cobertas de palha do Povoado Capão lembra os quilombos. Talvez lá seja realmente uma comunidade quilombola. Pela localização do vilarejo ao pé da chapada e de difícil acesso. O Viajante passara lá há algum tempo atrás e um dos amigos moradores lhe prometera este capão criado no povoado capão. Um projeto de manejo de criação de frangos caipiras foi o fio que ligou esta amizade entre o escritor /desbravador e aquela família camponesa.

 

José Antonio Basto

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O vento leste que leva a soja em Anapurus, Baixo Parnaíba maranhense

 

campo de soja em Anapurus-MA

Ali vivia uma chapada, ali moravam animais e corria uma cabeceira de rio, aquele campo de soja no leste maranhense seria uma prova concreta do projeto devastador e selvagem do agronegócio na região do Baixo Parnaíba. A soja implantada nos municípios de Anapurus e Brejo tem suas demarcações e fronteiras, os gaúchos vieram de longe, do sul do país arrasando terras alheias pertencentes aos povos tradicionais. Dirigíame-me à Audiência Pública no Seminário Santo Antônio em Brejo, as comunidades tradicionais foram articuladas pela Diocese, elas falariam sobre velhos problemas fundiários e socioambientais aos representantes das secretarias de estado. A vista dava da janela da caminhonete, carretas enfileiradas carregadas de soja produzida em nosso chão, o cerrado perdeu sua força, ali estar um território secular que hoje clama por justiça social, por causa das fronteiras agrícolas. Os tremembés passaram por ali, os balaios e mais tarde os retirantes vindos do Piauí. Os camponeses criaram vínculos com o meio em que viviam, colhiam frutos, tiravam madeira... reproduziam-se na permanência das áreas agricultáveis. A soja plantada nos municípios de Anapurus e Brejo é exportada atendendo demandas de consumo de outros países, ela se desenvolve através de produtos químicos. Enfraquecida, a terra se tornou uma colônia que enriquece metrópoles e interesses pessoais dos sojicultores. As famílias de camponeses que moram nos arredores dos campos sofrem com doenças causadas pelo agrotóxico, eles perderam suas áreas de caça, pesca e extrativismo. A monocultura da soja vem agravando os modos de vida simples desses lavradores. Um cientista e pesquisador certa vez disse que “o agronegócio da soja vem acabando com o cerrado, sem saber o valor de sua biodiversidade, infelizmente este foi um dos grandes crimes dos últimos vinte anos praticado contra o sertão”. A soja na região do Baixo Parnaíba maranhense visa somente o ganho imediato do capital econômico daqueles gaúchos, sem qualquer análise da importância dessas áreas de chapadas e florestas que estão sendo perdidas e desaparecendo do mapa territorial.

José Antonio Basto


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Pelas trilhas do assentamento

 

Pensava-se num trabalho, um tão quanto pouco literário –, quase crítico, mas não tanto assim. O “Programa Jovem Saber” da Contag e Fetaema – em parceria com os STTRs, convidara-nos para uma pequena pesquisa na casa de um morador do “P.A – Projeto de Assentamento do Povoado Estiva da Mangabeira”, em Urbano Santos, Baixo Parnaíba maranhense. Friviar por aquelas bandas é relembrar o passado histórico do processo de dominação das terras de famílias influentes que detinham do poder cartorial e da estrutura agrária herdada pelos portugueses desde o império do Brasil - para suas elevações econômicas. Pois terra sempre foi sinônimo de capital e poder. Isso é fato.

           


Três companheiros seguiram numa manhã cedo de inverno para desenvolver as pesquisas e aproveitar para visitar velhos amigos de lutas durante o percurso. Eram seis horas da manhã, quando o carro buzinava convidando para seguir cortando os povoados: “Bacaba, Frankylândia, Palmeirinha, Cacimbinha, Baixa do Cocal I e II, Ingá, Santana, São Felipe, Primavera, Mangabeira Velha até Estiva da Mangabeira (Fazenda São Paulo). O “6º Módulo de estudo do Programa Jovem saber”, convidou-nos para uma experiência sistemática, prática e teórica sobre o entendimento do processo de Reforma Agrária no município onde vivemos, suas indiferenças, sonhos e utopias. Um romantismo pregado que se alicerça no pensamento e que algum dia possa chegar como direitos, poeticamente no canto: “Nosso direito vem”.. [...]. Convidava para uma reflexão sobre a participação da juventude na “política de sucessão rural”. Na participação como agentes sucessores da Reforma Agrária, críticos e voluntários de um trabalho de seus avós que começaram há muito tempo atrás e que eles devem entender sobre a continuação desta obra. As brigas de terra para aquelas bandas e em toda região próximas ao rio preguiças são bem antigas – porque remontam o ciclo das fazendas de cana; assim também como em boa parte dos territórios que ligavam as estradas de acesso à cidade de Brejo e Vila de Miritiba.

Na narrativa que se tratava das primeiras lutas na área que foi desapropriada pelo Incra, retrata a resistência dos trabalhadores rurais em não aceitar a pagar mais uma parte de sua produção para os donos da terra. O capítulo é bem antigo desde a habitação dos caboclos sertanejos na época da Balaiada em meados do século XIX. Mas só começaram de fato se organizar na luta pela terra na década de 60 e 70 – anos esses em que o “movimento camponês” ganhava notoriedade no cenário nacional, principalmente no Nordeste, sendo esta, a mais velha categoria e Movimento - MSTTR, que tardou tanto para se organizar. Isso vale lembrar a grande participação dos padres e o papel da Igreja Católica na MEB – (Movimento de Educação de Base) e da fundação das CEBs - (Comunidades Eclesiais de Base) – no leste maranhense. A luta organizada dos camponeses resultou depois de quinze e vinte anos na desapropriação do complexo de “Assentamento Mangueira / Data Mangabeira” na década de noventa. Foi o inicio de uma batalha que deu os primeiros passos com relação à posse da terra e a construção de pequenas e rudimentares casas para as famílias cadastradas. O morador o qual nos recebeu falava do problema da comunicação social naquela época, que para se deslocar até a cidade de Urbano Santos ou tinha que ir a pé ou de animal... na maioria das vezes andavam de trinta a quarenta quilômetros para resolver seus negócios na cidade.


Ele faz uma autocrítica sobre a realidade da reforma agraria, que não é apenas nos assentamentos de Urbano Santos, mas em todo país – principalmente agora com o retrocesso de transformações politicas do atual governo central: “No Brasil não existe reforma agrária, existe apenas uma pequena política de assentamentos fundiários e agora infelizmente ameaçado, explica”. Dá-se ao entender que no entendimento daquele assentado a reforma agraria não é simplesmente assentar famílias camponesas no meio da chapada seca sem água e sem assistência técnica para a agricultura, sem os meios necessários para sobreviver. Deve no mínimo se ter infraestrutura básica, saúde, assistência técnica, educação e outras politicas de desenvolvimento social que completam o verdadeiro sentido da Reforma Agraria, que estão muito longe de nossa realidade.

            A família mora e produz na terra: pimenta malagueta, coco da praia, farinha de puba e criam pequenos animais para a alimentação. Sobre as laterais da casa tem um grande morro com árvores preservadas, além de um riacho de águas claras que passa na frente da moradia. O trabalho foi concluído até meio dia. Será editado e enviado para a coordenação da Fetaema e em seguida para a Contag para avaliação. Foi muito válido o aprendizado para conhecer mais de perto a realidade da historia do assentamento. Página essa que as vezes, ou talvez, a maioria dos moradores não conhecem. Voltamos pela mesma trilha com mais uma das tantas tarefas cumpridas.

 José Antonio Basto.

dezembro - 2020