segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A formiga em busca de direito

Pov. Formiga - "Seminário Direitos Humanos".

Dona Eva -, moradora da comunidade formiga - zona rural de Anapurus, convidava os companheiros do STTR de Urbano Santos para participar de uma reunião sobre Direitos Humanos. Dona Eva, o Izaias e a Francisca fazem o "Curso de Formação de Agentes Populares de Direitos", eles convidariam o José Antonio Basto, militante social para ajudar na transmissão das informações burocráticas sobre o que é "Direito Humano". Os três concluíram o “II Módulo do Curso”, este que é organizado pela SMDH - Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos. A Associação preparou o ambiente com símbolos ligados à luta da comunidade pela posse da terra, materiais importantes como: coco babaçú, palhas, cofos, cabaça, fruto do buriti, linho do buriti e muitas frases coladas no painel sob o fundo de um banner com o nome do evento. 
A Comunidade Formiga é um dos povoados mais isolados de Anapurus, por ficar exatamente numa linha de transição entre dois municípios – Urbano Santos e Anapurus, seguindo o nível do rio que passa pelo Povoado Bom Fim. Ali se desenvolveu o patriarcado de famílias influentes que tinha como poderio o domínio das terras e o comercio local. Durante toda história, os agregados levavam uma vida de servidão e consideravam comum.
Preparação antes do Seminário.
O Coronel e/ou fazendeiro, proprietário dominava seus agregados que viviam humilhados e trabalhando em situações análogas à escravidão. Formiga compõe o conjunto de fazendas do século XIX, "Ciclo das Fazendas", assim como as fazendas vizinhas Bom Fim, Boa União e Palmira. Alguns posseiros e pequenos proprietários das heranças se vê hoje acusados pelo programa do agronegócio. São proibidos de exercer suas atividades rurais e de colher os frutos da chapada. A terra está em questão e existe um processo jurídico tramitando na justiça envolvendo famílias camponesas a Empresa Suzano Papel e Celulose. Os agricultores pretendem construir um
Ornamentação do Seminário.
campo agrícola dentro da área para melhorar a produção, mas estão com medo da Suzano barrar o serviço. Nesse caso somente eles devem manter a resistência, assim como fez a vizinha Comunidade Bracinho em 2011.
Pequizeiro do Pov. Bela Vista.
 
Os moradores da Formiga são desprovidos de uma série de direitos mínimos, como educação e saúde, a comunidade já teve um caso de despejo de famílias. Eles trabalham na agricultura, criam gado e pequenos animais. O interessante é que quase todas as famílias produzem o linho do buriti, extraem dos brejais, secam no sol, armazenam e vendem para compradores de Barreirinhas. Eles ajudam no comércio sustentável do artesanato que movimenta uma grande renda no setor de turismo na região dos lençois, no país e no exterior. Talvez, os tiradores de linhos de buriti nem sabem disso, pois a maioria são analfabetos e vendem um quilo de linho no valor de R$ 8,00 reais. Durante a roda de conversa discutia-se os pormenores principais do entendimento sobre o que é "Direitos Humanos": partindo para os assuntos da Declaração Universal dos Direitos Humanos que completou 70 anos em 2018, Constituição Federal de 1988, Direitos e Deveres dos cidadãos, Reforma Agrária, Direitos Coletivos, Direitos Individuais, Pedagogia da Proteção e Direitos Socioambientais. Uma injeção de ânimo na luta camponesa que durante séculos conquistara seus direitos,
J. A. Basto, Sr. Calixto e Dona Maria - "Pov. Bebedouro".
hoje ameaçados pelas reformas trabalhista e da previdência. Foi feito uma reflexão sobre a luta dos primeiros líderes nesta região, a exemplo dos Balaios liderados pelo vaqueiro Raimundo Gomes, o agricultor Francisco Manoel dos Anjos (Balaio) e o quilombola Negro Cosme Bento das Chagas. Estes que diga-se de passagem, deram os primeiros passos em busca da Reforma Agrária, conquista de direitos fundamentais para os sertanejos do interior do Maranhão e sobretudo a liberdade. 
A reunião terminava meio dia. Um almoço fora oferecido pelos donos da casa: porco caipira, com sobremesa de jaca tirada fresquinha do pé no quintal. Nós ainda tínhamos um compromisso de ir buscar um
"P. A Bebedouro dos Calixtos".
bode no “Assentamento Bebedouro” que ficava do outro lado do rio. Nos despedimos e seguimos caminho, uma chuva tinha caído naquela madrugada daí as estradas estragava o diferencial da caminhonete. Cortamos as chapadas voltando pelo Bom Fim, passava em Centro Velho, Bela Vista, Bacaba, São Cosme, Cajazeiras, Todos os Santos até o Bebedouro. Visitava os amigos de luta: Dona Raimundinha - Delegada Sindical, seus filhos que lhe ajudam na luta e o Velho Calixto - patriarca da comunidade. Negociava-se o preço do bode, depois de muita conversa com o Seu Ananias decidimos comprar o animal.
Zé do Bebedouro, alimentando seus animais. 
Que vai dá fruto a um "artigo" em prosa mais na frente. Já estava anoitecendo e tínhamos que voltar para casa e, ainda mais pelos caminhos aplainados da Suzano, mas os campos de eucaliptos estão passando pelo corte e os caminhos ficam invisíveis, facilitando a desorientação e até em alguns casos os viajantes se perderem. Voltamos pela estrada do Quilombo Bom Sucesso, Pedra Grande, Lambuso,
Surrão, Raiz, Santa Maria e Fortaleza até chegar em nossas residências. Mais um dever cumprido.

José Antonio Basto



quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A COLONIZAÇÃO DO CERRADO BRASILEIRO E A RESISTÊNCIA DOS POVOS DESSE CHÃO


Reunião da CPT e entidades envolvidas no projeto - São Luís, 29/01/2019.
Quando se fala no processo de colonização de terras no Brasil, imaginamos  logo de imediato na memória os antecedentes criminais de quando e como a questão das terras brasileiras foram colonizadas e exploradas, primeiramente pela "Coroa Portuguesa", em seguida pelo Império e, mais tarde pelo sistema político adotado pelo "Coronelismo" no início da República Velha. Sendo os portugueses e seus descendentes - os herdeiros da estrutura agrária deixada no interior das entranhas de um "Brasil de Mãe Preta e Pai João" . Ficara para trás, sem piedade, um legado de violência contra os índios, agricultores, sertanejos, assentados, quebradeiras de coco, pescadores, e tantos outros grupos de negros aquilombados que sofreram mais de 300 anos de cativeiro em situações desumanas. Essa herança de dor, desrespeito, desacato e expropriação das terras se refletem com clareza no espaço que compõe hoje o maior e mais rico bioma que é o "Cerrado Nacional", se estendendo por vários estados e regiões diferentes. Ocupando aí, um grande território riquíssimo em biodiversidade de fauna, flora, minério e sobretudo água. As grandes bacias hidrográficas dos principais rios do país estão no "CERRADO". Sendo assim, botando em disputa no leilão econômico do mundo a cobiçada "Caixa D'água" que abastece a nação e alguns países da América Latina. O Cerrado há algumas décadas atrás tem sido ocupado e colonizado de forma veloz e avassaladora pelo grande capital nacional e estrangeiro, por via das "políticas de commodities" flexibilizando a balança e bolsas de valores de países ricos da Ásia, Europa, África e América. Representado e financiado pelo agronegócio da soja, eucalipto, criação de gado, construção de barragens e mineração. Botando então em jogo a vida dos povos e comunidades tradicionais que sobrevivem diretamente dos recursos naturais tirados da terra, das florestas e das águas desde séculos remotos. São muitos os casos de conflitos fundiários que vem se perpetuando ao longo do tempo e, ainda mais agora onde os sistemas políticos e administrativos, principalmente a esfera federal têm apresentado uma "filosofia prática" de criminalização dos movimentos sociais, com favorecimento ao latifúndio e as grandes empresas que vêem a terra como um simples instrumento de capital e poder. O Maranhão se enquadra nesse jogo como o viés principal de produção, exportação e escoamento de produtos através de seu posicionamento geográfico privilegiado de PORTOS  como o "Itaqui". Com a mudança sistemática de governo, o movimento camponês tem sofrido com contínuas ameaças sistemáticas de reformas e MPs que visam destruir conquistas memoráveis desse seguimento tão importante que foi escrito com muita luta e derramamento de sangue dos heróis companheiros e companheiras que nos dão forças pelo que fizeram em vida. Com esse espírito fraterno, modesto e solidário a "Comissão Pastoral da Terra" - (CPT) - num evento realizado em São Luís, dias 29 e 30 de janeiro de 2019, lança com participação de várias entidades e seguimentos sociais a primeira edição da "Revista Cerrados" e o documentário "Cerrados: Rostos, vidas e identidades". Com o intuito desse veículo servir como instrumento de luta contra as adversidades apresentadas nesse momento um tão pouco complicado da histórica do país.

José Antonio Basto

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

UM CERTO GUIMARÃES

Mayron Regis, jornalista, cronista, ensaísta, assessor de comunicação do Fórum Carajás e sobretudo ambientalista... Talvez não seja um Guimarães Rosa da vida, autor de "Grandes Sertões: Veredas". Ele ainda não escrevera sobre os Sertões do Norte Minas - talvez. Mas ver com veemência os problemas sociais e socioambientais do Baixo Parnaíba Maranhense e de outras partes do Maranhão. Ele escreve bíblia, como dizia o amigo sociólogo Iran Avelar. Suas bíblias, ironicamente não falam da religião hebraica, mas falam das fronteiras do agronegócio no estado do Maranhão, ou em partes de suas fronteiras. Mayron escreve sobre o sertão... Sobre a resistência das comunidades em defesa das chapadas e dos bacuris... Dos territórios. Mayron escreve sobre gente, sobre bichos, árvores e frutos. Um escritor de cunho social que não se preocupa com as normas e estilos literários, nem com escolas de épocas, tanto pelos seus críticos, muito menos pelos seus leitores, ele não se importa... Ele tenta mostrar o que é certo e o que é errado. Escreve o que vem do coração. Sua prosa, um tão pouco poética nos faz refletir quando se ler as obras de Caminha e José de Alencar... E o próprio Guimarães. Viajar pelo sertão do Maranhão e descrever seus problemas não é tarefa muito fácil e, ainda mais, quando se vive a tarefa. É uma questão de determinação. Este jornalista ambiental faz isso com mestria, como Camões escrevera seus magníficos Sonetos e os Lusíadas. Regis, além das letras é um comunicador que também entende de criações de galinhas. Seus trabalhos são respeitados, não pelo estilo, mas pela narrativa e originalidade da obra, da qual tem haver com o dia-a-dia no campo. 

José Antonio Basto. 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Soneto de ano novo


As luzes brilharam lá no céu!
A estrela vésper no oriente acendeu
O canto do galo ao norte respondeu
Uma mensagem gravada no papel.

A obra maior de um menestrel
É o "Novo Ano" que o amanhã amanheceu
De cima a glória então desceu...
Vindo sonhos escritos em doce mel!

Tantos dias se passaram  em sombra oculta...
Tantas coisas... Mentiras e verdades!
Consciência é a maior de todas as consultas...

Foram trezentos dias de saudades!
Vem mais trezentos dias de labuta...
Desejo-vos muitas e muitas felicidades.

José Antonio Basto
31/12/2018.


sábado, 15 de dezembro de 2018

BALAIADA: 180 ANOS DA REVOLTA POPULAR DO MARANHÃO

Raimundo Balaio -, fabricante de cestos de Urbano Santos- MA. 
Há exatamente 180 anos atrás – em 13 de dezembro de 1838, no Vilarejo de Manga do Iguará – freguesia de Vargem Grande – interior do Maranhão. Vaqueiros armados empregados de Padre Inácio Mendes do Mearim (Bem-ti-vi), comandados por Raimundo Gomes Jataí, atacam a cadeia da comunidade para soltar o irmão que teria sido preso injustamente por vias de questões políticas.
"Rio Mocambo", em Urbano Santos -, local por onde os Balaios passaram em direção à Vila de Chapadinha. 
A ação rebelde incomodara os conservadores, coronéis, latifundiários e a polícia, mais tarde o Exercito Nacional. Surgia ali por consequência de outros fatos e reivindicações de liberdade dos sertanejos, camponeses, ARTESÃOS, índios e escravos do interior do estado. Uma sublevação, guerrilha camponesa... Insurreição conhecida por Guerra da Balaiada, reunindo um forte exército popular de caboclos; que se dividiam em destacamentos na região nordeste do interior do Maranhão – atravessando o Rio Parnaíba até o Piauí. Eles estavam dispostos a lutar pelos seus direitos – precisariam de um estopim que de fato acontecera naquele dia. Enfrentaram quatro anos de batalhas entre perdas e vitórias, pulando valas, se escondendo em quilombos, trincheiras nas beiras dos rios e acampamentos montados nos confins das florestas. Com o tempo e diga-se de passagem, o apoio casual dos Bem-ti-vis, conquistaram as cidades de Brejo e Caxias. Infelizmente foram derrotados e conquistados pelas forças legalistas do estado repressor daquela epoca. A Balaiada é uma das mais ou talvez a mais importante das insurreições da época do Governo Regencial no Brasil. Os feitos de seus líderes, o pensamento de libertação com relação aos setores oligarcas, neoliberais, fundiários e escravocratas, ainda se encontra engavetado; uma vez que a história teve suas controvérsias, sendo ela escrita pela própria burguesia – e pelos que venceram. Por isso nesses 180 anos da Revolta saudamos as figuras emblemáticas de Raimundo Gomes, Francisco Manoel dos Anjos – O Balaio e o Professor Negro Cosme - de Lagoa Amarela. Avante Balaios da atualidade.

José Antonio Basto

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

PELAS COMUNIDADES DO BAIXO PARNAÍBA

Comunidade Bela Vista

Saiamos de uma reunião no Povoado Formiga – município de Anapurus, região do Baixo Parnaíba maranhense. Formiga fica entre Urbano Santos e Anapurus. Há algum tempo atrás todo esse sertão era território de Brejo.  A ideia era ajudar a Associação daquela comunidade no entendimento mínimo sobre “Direitos Humanos” – membros da direção da entidade faz o “Curso de Formação de Agentes Populares de Direitos”, com temas voltados para a política da proteção e pedagogia socioambiental. O que realmente foi feito – com participação direta dos companheiros lavradores. Formiga remonta a história do ciclo das fazendas, linha de transição por onde os balaios passaram; negro Cosme do Quilombo Lagoa Amarela atacava as fazendas das margens do Rio Preguiças em operações de libertação dos escravos cativos.

Reunião em Formiga - Anapurus
A memória prevalece e merece seu devido reconhecimento.  Teríamos outra importante tarefa, um compromisso de visitar o “Assentamento Bebedouro dos Calixtos”, com o intuito de informar sobre as últimas mudanças no cenário agrário, políticas voltadas para os assentados e, ainda mais aqueles agricultores (as) que estão no processo de construção de suas habitações e linhas de créditos. Eles precisavam de orientação. Na estrada que cortava os grandes campos de eucalipto e soja, nos deparávamos com a bela chapada em resistência – bacurizeiros e pequizeiros carregados de frutos, esperança de uma gorda safra assim que o inverno chegar. A Comunidade Bela Vista não recebera esse nome por acaso – pois é mesmo uma “bela vista” da natureza. Nascera no meio da chapada e se desenvolvera ao longo do tempo. Parávamos ali para descansar à sombra de um pequizeiro. Seguíamos
viagem passando pelo São Cosme, Cajazeiras, Todos os Santos e Bebedouro, a reunião acontecia já no final da tarde. O processo de Bebedouro
Sr. Calixto - "Comunidade Bebedouro dos Calixtos".
vai andando com altos e baixos, atravessando avalanches e barreiras. Lutar pela permanência e acesso à terra nunca foi tarefa fácil, lutar pelos direitos dos trabalhadores é necessário militância. Concluía-se a roda de conversa. Voltávamos pelos caminhos aplainados e transformados. Descia pela estrada do Povoado Pedra Grande e rumava para a sede da cidade com a sensação de dever cumprido.


José Antonio Basto



segunda-feira, 12 de novembro de 2018

ELES MERECIAM UM NOBEL

Reuniao em Bacabal - Urbano Santos
Eles são merecedores de um "Prêmio Nobel" -, caso existissem Nobel para quem faz alguma diferença na vida das comunidades tradicionais na amazônia e no cerrado brasileiro; caso tivéssemos influência nas votações e burocracia do Nobel. Eles tem ajudado 
bastante nas questões que diz respeito à renda familiar, monitoramento e proteção
ambiental e desenvolvimento sustentável na vida das famílias camponesas. O jornalista Mayron Regis e o agrônomo Edimilson - ambos
do Fórum Carajás - entidade essa de cunho social e não governamental que trabalha junto às comunidades tradicionais do Maranhão, Pará e Tocantins com relação aos impactos ambientais dos grandes projetos. Eles já fizeram e fazem muito pelas comunidades da campo e das florestas. 
Ajudam quando podem, enfrentam avalanches e crises financeiras; 
mas continuam na labuta da vida. São profissionais e ao mesmo tempo militantes em defesa da vida e de um mundo melhor para os camponeses e extrativistas. Eu tomo a 
liberdade de falar desses dois amigos -, faço, com todo respeito uma crítica positiva porque já os conheço de longa data, das lutas e batalhas que estivemos
lado a lado levando informações e algo mais, para as áreas de conflitos. Reuniões e seminários que participamos em vários
pontos desse Baixo Parnaíba de meu Deus, que partia de um simples almoço de galinha caipira a um papo de orientação da comunidade
animando-a na dinâmica de enfrentamento ao latifúndio e em defesa da terra. Os projetos de galinha caipira já instalados só no município de Urbano
Santos pelo Fórum Carajás, podemos lembrar dos povoados: São Raimundo, Mangabeirinha, Juçaral, São Bento, Santa Rosa
Cajueiro, Serraria, Gonçal dos Mouras, Baixa Grande, Tocão e Porto Velho I... Iniciativas que muito têm contribuído 
na renda das famílias beneficiadas, tanto na mudança de hábitos para melhor, quanto na manutenção e permanência em suas terras. Com positividade
eles seguem avante, por esse imenso território agrário do Baixo Parnaíba - levando mudas e galinheiros - ajudando os mais humildes. Trilhando por esses chapadões. Os 
governos não reconhecem o tanto que estes dois fazem pelos homens e mulheres do campo - seguem suas consciências. Não fazem tanto, mas
tentam fazer ao máximo, para com esses gestos, atos e ações engrandecer suas personalidades? Não. Para mostrar" que com pouco se pode faz muito", basta querer e ter força de vontade. 
Nossas comunidades sabem do valor que eles tem - porque convivem direto, porque eles tem espirito de humildade, de pessoas
com sensibilidade de ajudar o próximo; os mais necessitados... Os esquecidos e desprovidos de direitos. Na convicção do cronista: o Mayron e o Edimilson mereciam o PRÊMIO NOBEL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Se caso existisse essa categoria. Porque em nome das comunidades tradicionais eles merecem muito 
mais pelo que tem feito.

José Antonio Basto