terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Rio Mocambo: um passeio pela história


J. A. Basto - autor do texto
Num período da História do Brasil, em especial falando dos capítulos em que o Maranhão faz parte onde as forças legalistas do governo imperial tentava sufocar aqueles desprovidos de direitos que lutavam por um pedaço de terra e justiça social, (os insurretos da Guerra da Balaiada, 1838-1842 -, sendo seus líderes máximos: Raimundo Gomes, Francisco dos Anjos e o Negro Cosme. Vaqueiros, lavradores e artesãos, foram obrigados a pegar em armas para defender suas honras e anunciar um novo caminho rumo a liberdade.
Foi daí então que por volta de 1843, após a execução do último líder do movimento guerrilheiro, o Negro Cosme, que liderou inúmeros quilombolas na Região do Baixo Parnaíba, pois alguns revoltosos escapando da perseguição dos soldados vieram para as bandas de cá, montando suas trincheiras em barrocas nas margens do Rio Mocambo. Os primeiros acampamentos foram onde hoje está localizada a comunidade tradicional de Mocambinho, há alguns quilômetros da sede de Urbano Santos. Com o passar dos anos ainda em meados do século XIX, nasceu o vilarejo de “Mocambo” e em seguida Ponte Nova que depois foi emancipada em 10 de Junho de 1929 com o nome de Urbano Santos tendo como primeiro prefeito o Dr. Francisco das Chagas Araújo filho do Coronel José Antonio, homem de grande influência por sua patente doada pelo governo. Com toda essa trajetória pode-se perceber que a história da fundação de Urbano Santos está interligada com a do Rio Mocambo.  Ele nasce nos recantos de uma comunidade chamada Mocambinho como já foi citada, uma vazante repleta de buritizeiros e brejais, terreno arenoso e de difícil acesso. Recebeu esse nome devido ao processo de amocambamento dos balaios -, esta nomenclatura provém da língua africana “quimbundo” e significa “aldeamento ou esconderijo secreto – o mesmo que “Quilombo”.
Rio Mocambo cheio no inverno
O Rio mocambo é um afluente do Rio Munim, a partir de sua cabeceira ele desce cortando os povoados: Estiva da Josefa, Bráz, Rumo, Vertente de Baixo, Siricora, Lázaro, Salomão e continua pela sede da cidade pelo Bairro da Graça passando pelo Bairro Fazenda, seguindo em frente correndo por outros povoados: Porto Velho I e II, Escuta, Pequi, Olho D`água, São José e por fim desemboca no Rio Preto na comunidade Sapucaia. Hoje em dia o mocambo vem sofrendo com a poluição causada por grandes quantidades de lixo jogados pela população em seu leito. No inicio da década de 20, o Mocambo servia para o tráfego fluvial de mercadorias (farinha, milho, tapioca, rapadura, tiquira, cachaça de cana e outros gêneros de nosso município), eram embarcadas através de lanchas e canoas, saindo da sede, caindo no Rio Preto e seguindo para a Região do Munin para a comercialização. 
criança banhando no rio
Algumas atividades de cunho social já foram feitas para amenizar o lixo no rio, como as ações sociais de limpezas organizadas pela antiga ONG Entrerrios. O Rio Mocambo inspirou o autor do nosso Hino Municipal, o Pe. José Antonio de Magalhães Monteiro, no trecho que diz “Rio Mocambo de lutas gloriosas/ Em que heróis desejaram a liberdade”.” Já foi tema também de telas (pinturas) e poemas de filhos da terra. O Rio Mocambo é responsável em grande parte pela economia de nossa população. As novas gerações precisam conscientizar-se que o Rio Mocambo é fundamental para a sobrevivência de nossa gente no abastecimento de água e sobretudo nos antecedentes que ajudam a compor uma página importante da história do Maranhão e do Brasil.

(José Antonio Basto)                              
Urbano Santos-MA, 16/12/2014
- Poeta e pesquisador
Email: (98) 98890-4162

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


"amor - , maior virtude."
Tu sofres como sofro de saudades?
                    (soneto)

Há tempos meu ser implora...
Para juntos vivermos em sensação
Cânticos desse amor absoluto,
Que revive em meu louco coração.

Meus versos corre a natureza,
Ouvindo tua voz... uma canção,
Adormeço em teus beijos de ternura
                                                              E juntos degustamos a tentação.

Mas triste fico ao saber que estás longe,
E não sei como meus dias vão ficar
Só sei que esta chama em meu peito arde!

E só em tua alma posso confiar,
Desperto-me desse sonho tão real
Com a certeza de que para sempre irei te amar!

José Antonio Basto

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O conflito de São Bento: trabalhadores rurais em defesa da terra.


sonhos se realizam com batalhas
A Associação dos Produtores Rurais do Povoado Guaribas I- São Bento no município de Urbano Santos-MA, entrou com um pedido de arrecadação fundiária no ITERMA de 551 hectares, uma região de matas e chapadas. Pois desde muitas décadas que os camponeses moram e trabalham na área, a partir do momento em a associação decidiu lutar pela posse da terra a entidade passou a ser uma pedra no sapato dos latifundiários vizinhos. Sr. Pedro, liderança local, disse que a associação não vai parar de lutar pela posse da terra e muito menos desistir de batalhar por esta causa justa e de direito.
A história do São Bento nos faz refletir sobre o processo hierárquico de famílias tradicionais que por lá viveram e continuam vivendo da exploração da mão de obra dos trabalhadores (as) rurais. Estas famílias se apropriaram de grandes faixas de terras desde muito tempo, com o apoio de antigos gestores e o laço de amizade com pessoas que trabalhavam em cartórios, estes proprietários se aproveitaram da situação para grilar as áreas. Desenvolvendo-se a partir de então uma política suja de intimidação para quem desafiasse o sistema. Os agregados moradores da comunidade submetiam-se à condecorações e respeito extremo aos senhores em situações de apradinhagem, estes portanto mesmo sendo os grandes causadores de uma problemática que até hoje se arrasta. “O plano para Reforma Agrária” -, tendo como pano de fumo o nosso tão sonhado “PROJETO ALTERNATIVO DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL E SOLIDÁRIO”. O grande entrave enfrentado até hoje para a associação é a questão do proprietário mais influente que leva seu sobrenome ao lugar e, que não quer reconhecer a luta dos lavradores que serve não apenas para os membros moradores filiados, mas também para as futuras gerações. Os trabalhadores rurais de São Bento precisam da terra para plantar, cultivar e colher... a Reforma Agrária só funciona assim, em muitos casos nem que chegue-se ao extremo para o conflito corporal ou armado. Do que vale um proprietário ter imensas quantidades de terras improdutivas, sendo que a demanda de desempregados ainda é absurda! Muitos jovens que estão sem trabalho poderiam estar estudando esse ponto, uma vez que hoje são tantos os projetos para a zona rural. Uma situação preocupante é o conhecido desvio de dinheiro, os projetos que desce do escalão muitas das vezes não são aplicados nos devidos lugares corretos. É do saber de todos que fazem direitos humanos que quaisquer associação é livre para caminhar com seus próprios pés. Nossa orientação é que os camponeses principalmente os que estão a frente não devem confiar de maneira algumas em conversas de latifúndios, que seja guiados pelas suas próprias lideranças e não aguardem ninguém para começar suas resistências. A associação é livre e independente, pode entrar em convenio com os órgãos competentes federais e estaduais para elaboração e acesso de projetos.
a luta é o caminho
São Bento, deve reconhecer estes pontos que anunciam uma outra história sem exploradores e explorados. A terra é de quem mora e produz nela, a terra é devoluta do estado onde a associação tomará posse um dia, fundar um assentamento para as famílias que sobrevive há muitos e muitos anos do sistema de agricultura familiar. Mas este sonho da associação que se reproduz em tantas pessoas vai sim se realizar, mas não apenas com o empenho apenas dos cabeças que puxam a carruagem do sistema burocrático, mas que isso seja através de uma tarefa coletiva para o bem de todos e todas na LEI OU NA MARRA -, como já dizia a palavra de ordem das famosas Ligas Camponeses de Francisco Julião na década de 60, os trabalhadores são os donos de seus próprios destinos. Com isso percebemos mais uma vez que o jovem guerrilheiro Hernesto Che Guevara estava certo quando afirmou que “A reforma agrária radical é a única forma de dá a terra aos camponeses”. Avante companheiros de São Bento nesta luta renhida até o fim!

(José Antonio Basto)
-Militante dos Direitos Humanos / Baixo Parnaíba-MA.
(email: bastosandero65@gmail.com) – Cel. (98) 98890-4162

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Soneto de agradecimento


"Livros, livros a mão cheia [...]
Foram muitos dias difíceis lado a lado,
Entre guerras, paz, tréguas e agonia,
Mas o tempo transformou-se em alegria,
Esquecendo as agruras do passado!

Sobre a benção de Deus fica os cuidados,
Regando a planta da sabedoria...
O pensamento é tudo que se cria,
Do perdão pedido e consagrado.
                       
Sonhos se constroem com perseverança,
Na luta renhida do bravo coração,
Que a glória venha repleta de esperança,

Que a escola, os lares ouçam essa canção!
Que tenha êxito e mostre ao próximo confiança,
Que a estrada de sua vida esteja sempre em construção!

José Antonio Basto
08/12/2014

- Um ótimo natal e ano novo que se aproxima ao corpo docente e discente da Escola Comunitária Santa Maria Bertilla pelos trabalhos e a luta que estivemos lado a lado em prol da educação. Pois o Professor Anísio Teixeira estava certo quando afirmou dizendo que: “Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra”. Ótimas férias!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Rio Boa Hora: a nascente que pede socorro!


MUTIRÃO DE LIMPEZA
O Rio Boa Hora sempre foi importante para o município de Urbano Santos, pois além de colaborar com o equilíbrio ambiental, foi também durante muito tempo e continua sendo fonte de sobrevivência das comunidades que vivem até hoje próximas às suas margens. Mas infelizmente sua cabeceira estar dilacerada por um enorme campo de soja dos gaúchos que se instalaram nas redondezas do Povoado Capãozinho. Um desacato aos direitos humanos, a água estar pouco-a-pouco desaparecendo lentamente, espécies de peixes em extinção, transformou-se de um lindo rio com águas claras para um pequeno córrego sem proteção. O que fazer?
O Boa Hora nasce numa região conhecida como “Recanto da seriema” entre os povoados Bom Sossego e Cajazeiras. Corta as seguintes comunidades Pedra Grande, Surrão, Raiz, Santa Maria, Fortaleza e entra na sede do município desembocando no Rio Mocambo. No período da década 30 nosso rio teve uma grande enchente que inundou o Bairro São José e parte da Rua Boa Hora (sede), naquele período era utilizado para o tráfego fluvial de canoas transportando farinha e outros produtos para São Benedito do Rio Preto e Região do Munin. Um grande problema também que coloca sua vida em risco é a questão do assoreamento, tiragem de areia ilegal, pesca predatória com flechas (armas caseiras) e a imensa quantidade de lixo em suas margens. O Boa Hora precisa viver, talvez daqui a 20 ou 30 anos ele não existirá mais. Em 2011, alguns alunos estudantes de Geografia da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), fizeram pesquisas sobre o problema do impacto que o rio vem sofrendo por intermédio da soja e eucalipto plantados nas chapadas onde estão as principais fonte hídricas (nascentes), as monografias com fotos foram publicadas na web para dá visibilidade a esses fatos. Em 2010 “A Organização Não Governamental Entrerrios, realizou duas ações de limpeza de suas margens. O objetivo destas ações além de recolher o lixo, serviu também para despertar a população do risco de extinção do rio, devido aos constantes atos de degradação que ele vem sofrendo com o passar dos anos.
A atividade contou com a participação de professores, alunos, comerciantes, famílias ribeiras e militantes ambientais de Urbano Santos e São Benedito do Rio Preto. Essa importante atividade serviu para uma consciência ecológica em coletividade, os resultados foram ótimos, mas deveria dá continuidade, infelizmente não foi pra frente a ideia.
O Rio Boa Hora pede socorro por aquilo que vem acontecendo em sua vida, precisamos acordar para essa realidade, pois se os rios secarem a água desaparecerá também do subsolo, as coisas ficarão mais ainda complicadas. O elemento “água” a cada dia estar ficando mais cara e mais difícil de se encontrar. O aquecimento global nos atinge descontroladamente, o clima acelerou-se sem freio. O Rio Boa Hora é importante tanto para nós quanto para o resto da humanidade. Salve o RIO BOA HORA! “UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL”.

(José Antonio Basto)
-Militante dos Direitos Humanos / Baixo Parnaíba-MA.
(email: bastosandero65@gmailcom)
(98) 98890-4162